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  PALAVRA DA PARTEIRA
Ana Cristina Duarte
 

HUMANIZANDO A RECEPÇÃO AO RECÉM NASCIDO

Apesar das evidências a favor dos processos mais suaves de recepção ao recém nascido, na maioria dos hospitais do país, tanto públicos quanto privados, as regras básicas são totalmente ignoradas, quer por desconhecimento das evidências, quer por acomodação das rotinas (é mais prático se fizermos assim) e jurídicas (e se os pais processarem?).

O Manual de Reanimação Neonatal da Sociedade Brasileira de Pediatria já deixa claro que não é necessário aspirar bebês que nascem vigorosos, que o cordão não deve ter cortado imediatamente, e que o contato pele a pele é mandatório. No entanto, verdade seja dita, é muito mais prático para as rotinas hospitalares se o cordão for ligado imediatamente, o bebê levado para o berço aquecido, aspirado, examinado, identificado, pesado e levado de volta à mãe, quando não para a observação de seis horas num berçário isolado.

Para facilitar a vida dos pais que quiserem exigir um tratamento baseado em evidências para seu bebê, segue a lista do que é importante no processo de recepção ao recém nascido. É assim que trabalham alguns dos pediatras mais requisitados do Brasil, justamente por respeitarem a fisiologia de transicão do recém nascido e o direito ao contato imediato mãe-bebê.

Supondo um bebê de termo (mais de 37 semanas de gestação) ou bem próximo disso, 35 ou 36 semanas:

1) O bebê nasce e é colocado imediatamente no colo de sua mãe, onde poderá ser então enxugado delicadamente, suavemente, sem pressa, com panos bem macios. Enquanto o bebê é enxugado, o pediatra vai sentir a pulsação do cordão, para ver se o bebê está bem. Bebês com frequência cardíaca maior que 100 bpm devem ser apenas estimulados, caso já não estejam chorando ou respirando.

2) Durante esse tempo, o cordão deve ser deixado ligado, pois o sangue que está na placenta pertence ao bebê e representa um importante aporte de células tronco e estoque de ferro.

3) Supondo um bebê que já está ativo, bem, começando a ficar rosado, o que deve acontecer após 1 minuto de vida, a primeira nota de Apgar já pode ser calculada ali mesmo, com o bebê unido à sua mãe.

4) Ao longo dos minutos seguintes, o bebê deve permanecer em contato pele a pele, sendo apenas observado e não manipulado. Durante esses minutos a dupla já está estabelecendo um vínculo importante, e a mãe está produzindo ocitocina em grande quantidade. Isso ajudará na produção e ejeção do colostro, como também ajudará o útero a se contrair e evitar a hemorragia pós parto.

5) Após 5 minutos, o pediatra poderá dar a segunda nota de Apgar, também por observação.

6) Após 10 minutos de vida, é bem provável que o cordão já não esteja mais pulsando e bombando sangue de volta para o bebê. Nesse momento (mas podendo ser bem mais tarde, se ainda pulsando), o cordão já pode ser clampeado e cortado pelo pai ou acompanhante. Esse corte não serve ao bebê. Ele só serve ao obstetra caso dejese realizar alguma manobra para remoção da placenta, ou para dar pontos no períneo, embora isso não seja necessário.

7) Após 15 a 30 minutos, é provável (mas não obrigatório), que o bebê comece a fazer movimentos com a boca e a língua, preparando-se para mamar. Facilitar o posicionamento da mãe na cama ajuda o bebê a encontrar o mamilo e fazer sua primeira mamada. Não há pressa, e só devemos ajudar caso a mãe solicite e/ou autorize. Os bebês e as mães em geral sabem fazer essa primeira pega sozinhos.

8) Após a primeira mamada terminada, o que vai levar até 60 minutos em alguns casos, é possível retirar o bebê do colo da mãe para exame físico no berço aquecido posicionado preferencialmente dentro da sala de parto. No berço pode ser feito o colírio (quando for o caso), preferencialmente não cáustico, a correção do corte do cordão quando necessário, o exame físico completo, a identificação e pesagem do bebê. Uma forma de suavizar a pesagem é tarar a balança com um campo, embrulhar o bebê no mesmo campo, e pesá-lo assim, protegido do frio.

9) Não é necessário aspirar bebês saudáveis, nem colocar sondas na boca, nariz, ânus e vagina. A maior parte das mal-formações genitais podem ser observadas a olho nu. As atresias de esôfago são tão raras que não se justifica colocar sonda nos esôfagos de todos os bebês, pelo próprio risco do procedimento. Em suma, bebês não precisam de sondas.

10) Após os cuidados iniciais, devolver o bebê para a mãe imediatamente, para alojamento conjunto. Vacinas e vitamina K podem ser oferecidas posteriomente.

Adendo: caso o bebê necessite de procedimentos de reanimação neonatal, por nascer em condições preocupantes, isso pode ser feito delicadamente no berço aquecido. Tão logo o bebê realize respiração espontânea e apresente bom tônus, ele pode ser imediamente devolvido à mãe.

A verdade é que a pressa em realizar os procedimentos nos bebês serve apenas para liberar o pediatra e a enfermagem da sala de parto. Fica como sugestão que o pediatra observe o nascimento, e se constatado que o bebê está em boas condições, deixe-o com a mãe e retorne mais tarde para a continuação dos cuidados.

Lembremos também que nos países de primeiro mundo, em situações de partos de baixo risco, as parteiras profissionais prestam os primeiros cuidados aos recém nascidos. Pediatras somente são chamados para os partos de alto risco como os prematuros, partos muito medicalizados, malformações, etc.

Suavizar o nascimento do bebê deveria ser a regra. Nascer é um tremendo esforço, e adaptar-se ao mundo aqui fora não deve ser uma tarefa fácil. Seria maravilhoso se todos os bebês pudessem fazer isso com calma, sem pressa e num ambiente amoroso e delicado. Afinal de contas, para humanizar o nascimento não é necessário "fazer coisas". Justamente ao contrário, para suavizar o nascimento precisamos apenas "não fazer nada".

ATENÇÃO: Esse texto não pode ser reproduzido na íntegra sem autorização. Para divulgá-lo em seu blog, copie os 3 ou 4 primeiros parágrafos e coloque logo abaixo:

"Para ler o texto completo, clique no link:
______coloque aqui o link original_____ "


Ana Cristina Duarte é obstetriz, coordenadora do GAMA e escreve por amor e diversão sobre as questões do nascimento. Atende partos humanizados hospitalares e domiciliares com algumas equipes de São Paulo e Campinas, e é co-autora do livro Parto Normal ou Cesárea? O que toda mulher deve saber (e homem também) - Editora Unesp
 
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