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Semana passada, o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro gerou sério
constrangimento entre muitos profissionais de saúde ao publicar em seu
jornal de circulação interna uma denúncia falsa. A notícia
inverídica de que um bebê teria falecido na Casa de Parto David Capistrano
Filho, em Realengo, foi publicada levianamente pelo Cremerj por meio de denúncia
proveniente da coordenação do Grupo de Trabalho Materno-Infantil,
que é representado pelo conselheiro Dr. Abdu Kexfe. Este comunicado mencionava
que o bebê havia chegado morto ao Hospital Albert Schweitzer, sendo que
é de conhecimento público que o hospital de referência da
Casa de Partos de Realengo é o Hospital Alexandre Fleming. Não houve
nenhuma intercorrência no Centro de Parto Normal que tenha resultado em
transferência de um bebê grave ou morto para qualquer hospital. Além
disso, jamais existiu convênio entre Secretaria Municipal de Saúde
e qualquer UTI neonatal privada - outra desinformação também
veiculada na matéria publicada no jornal interno deste Conselho.
As inverdades publicadas não pararam por aí, outro estabelecimento
público também foi envolvido. Na mesma matéria, as enfermeiras
obstétricas da maternidade Herculano Pinheiro foram acusadas injustamente
de terem prejudicado um bebê por gerar um clima de privacidade e intimidade
através da redução das luzes do ambiente. O bebê nasceu
com malformação congênita e veio a falecer dias após
o parto, sem que houvesse qualquer relação entre a intensidade da
iluminação do local do nascimento e sua morte, e sem que houvesse
qualquer impedimento à assistência prestada pelo pediatra no momento
do parto. Ao divulgar informações sem qualquer conexão
com a realidade, os atuais representantes do Cremerj demonstram cabalmente estarem
desprovidos de argumentos embasados cientificamente. Além disso, demonstram
claramente seu repúdio à nova filosofia que privilegia o bem estar
de mães e bebês e questiona a realização de procedimentos
desnecessários - esses sim, geradores de cascatas de intervenções
que podem acarretar consequências imprevistas e nefastas, tanto à
mãe como ao seu filho. Na ausência de argumentos sólidos
e embasados, apelam para a difamação e a maledicência dos
serviços públicos comprometidos com o bem-estar da população.
Através destes artifícios, buscam confundir profissionais preocupados
com o bem-estar de sua clientela, bem como as milhares de mulheres que buscam
um atendimento de qualidade, com respeito e dignidade no parto. Aparentemente
os integrantes da direção do Conselho Regional de Medicina do Rio
de Janeiro desconhecem evidências científicas mais atualizadas que
mostram que casas de parto são uma realidade no mundo inteiro, principalmente
em países de menor taxa de mortalidade materna e neonatal. A introdução
desse novo ambiente para prestação de assistência ao parto
representa uma possibilidade de tratamento diferenciado e de qualidade para grávidas
de risco habitual, que não precisam de cuidados intensivos, caros e desnecessários
para dar à luz seus bebês. Esse desconhecimento dos atuais conselheiros
do Cremerj somente gera constrangimentos entre profissionais que buscam seu aprimoramento
através da adesão a uma medicina baseada em evidências científicas,
além de provocarem conflitos corporativos que não introduzem melhorias
nos resultados na assistência ao parto. O Rio de Janeiro possui
a maior taxa de mortalidade materna e neonatal da Região Sudeste. Além
disso, cerca de metade dos partos cariocas são cesarianas (IDB 2003), representando
maus indicadores de assistência à gestação. A Organização
Mundial de Saúde recomenda que a taxa de cesarianas em qualquer contexto
nunca ultrapasse os 15%. Ao contrário do apregoado pela atual
direção do Cremerj, os dados da Casa de Parto têm sido excelentes
e animadores. Todas as taxas de intervenções estão dentro
do que é recomendado pela OMS e as raras transferências necessárias
estão sendo realizadas com tranquilidade e segurança, para o Hospital
de referência, Alexandre Fleming. Os representantes do Cremerj vem
tentando já há algum tempo impedir a população carioca
de ter acesso à assistência nas Casas de Parto. Houve um mandado
de segurança e, em julho deste ano, uma liminar foi concedida pela juíza
Neusa Regina Larsen de Alvarenga Leite, da 5ª Vara de Fazenda Pública.
Nesta se determinava que a Secretaria Municipal de Saúde contratasse médicos
obstetras, anestesistas e pediatras para trabalharem na casa de parto. A Secretaria
Municipal recorreu e, no final do mês de Agosto, esta mesma liminar foi
revogada pela juíza Eunice Bitencourt Haddad, pois reconheceu, justamente,
que a Casa de Parto de Realengo encontra-se dentro dos padrões estabelecidos
pelo Ministério da Saúde. Não tendo alcançado
o seu intento, a atual direção do Cremerj desta vez apela para a
desinformação infamante, ainda que em informativo de circulação
interna. A Secretaria Municipal de Saúde está processando o Cremerj
por calúnia e difamação e vai exigir indenização
por possíveis danos morais ocasionados pela notícia. Finalmente,
A ReHuNa-RJ (Rede pela Humanização do Parto e Nascimento/RJ) vem
a público questionar: O que tem feito esse Conselho Regional para reduzir
as taxas de intervenções desnecessárias e de mortalidade
materna e neonatal dos partos hospitalares, que somam 98% na cidade do Rio de
Janeiro? E por que há tanto interesse em combater e difamar as propostas
humanistas e os outros profissionais, também capacitados para a assistência
ao parto, se é exatamente esse modelo "fora do hospital" que
tem obtido maior sucesso no propósito de atingir os índices sugeridos
pela OMS? E até quando os dirigentes do CRM do Rio de Janeiro priorizarão
a reserva de mercado e o corporativismo médico em detrimento da saúde
das parturientes e seus bebês? =====================================
Rede pela Humanização do Parto e Nascimento Rio de Janeiro,
outubro/2004 Mais informações sobre as Casas de Parto:
www.casasdeparto.com.br
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