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Relatos de Parto
Nome: Debora Regina Diniz

 

O Nascimento de Pedro Gabriel (30/03/03)
Parto Normal Pélvico

GRAVIDEZ
Para aqueles que ainda não me conhecem, meu nome é Debora Regina, sou professora de literatura, tenho 27 anos e estou casada com Marcos, 29, há quatro anos. Começamos a namorar na escola, eu com 15 e ele com 17, portanto, estamos há 12 anos juntos (sim, ele foi meu primeiro e único, sabem aquela música Solamente una vez). Nós adoramos crianças e sempre tivemos vontade de ter um filho, mas, nos dias de hoje, faltava-nos um pouco de coragem. Então eu ia adiando: "quando eu terminar a faculdade...", "quando eu terminar a pós...", "quando eu terminar o mestrado..." e quando eu já ia dar a desculpa do doutorado veio o destino e disse: pó pará!

Em junho do ano passado esqueci de tomar o anticoncepcional, não dei muita importância, pois, como eu já usava esse medicamento por quase dez anos achei que deveria estar de hormônios até as orelhas. Ledo engano... No dia 30/07/02 fiz o teste de gravidez, o Marcos foi buscar. Quando o vi chegando com um baita sorriso já imaginei o resultado. Naquele momento senti uma mistura de pânico com uma alegria imensa, só conseguia pensar "não tenho plano de saúde". A alegria venceu, afinal íamos ter um bebê. A família fez a maior festa, todos estavam entusiasmados.

O médico da família: Eu e o Má sempre fomos a favor do parto normal, mas, como eu não conhecia nenhum obstetra me consultei com um indicado pela minha tia. Logo de início ele solicitou uma bateria de exames, ultrassom, receitou vitaminas, e passou uma lista de proibições: sexo não é bom, cápsula de alho não pode, floral de Bach não é bom... Começamos a achar aquele japonês meio estranho. Ele falou para nós fazermos um pacote de parto em um hospital da região e foi o que fizemos.

Quando eu estava com 4 meses tive uma infecção urinária, aí ele ficou radiante: proibido o sexo! E ainda soltou a pérola "ela não pode, mas você (Marcos) está liberado" (quanta delicadeza...) Em outra consulta, além de me confundir com outra paciente, ele disse que parto normal era muito legal, mas só se estivesse TUDO certo. Acredito que, no Brasil, muitas grávidas passam pela situação de O médico e o monstro, no princípio eles são como Dr. Jeckyl: bacanas, atenciosos, favoráveis ao parto normal, e, quando se aproxima o final da gestação, se transformam em Mr. Hyde, inventam inúmeros problemas para nos convencer a fazer cesárea. O japonês era esse tipo.

Sendo eu uma grávida de primeira viagem um monte de gente começou a palpitar sobre o que eu tinha que comer, o que eu tinha que fazer, etc, etc, etc... Resolvi dar um basta, como eu queria me manter saudável física e psicologicamente comecei a pesquisar tudo sobre gestação, comprei livros, revistas, fiz pesquisas na internet, até que conheci os sites das Amigas do Parto e Doulas, para mim, foi uma luz no fim do túnel.

Com 20 semanas eu e o Marcos fomos fazer o curso de preparação para o parto com a Ana Cris, Geórgia e Dorothe, descobrimos a diferença entre parto normal e parto natural/humanizado. Decidimos que o bebê viria ao mundo da maneira mais natural possível. Conhecemos a Casa de Parto. Então, com 24 semanas gestação decidimos mudar de obstetra, cancelar o hospital e ter o acompanhamento de uma doula. Tudo corria muitíssimo bem, descobrimos que o bebê era um menino, escolhemos o nome (Pedro Gabriel), minha saúde e a do bebê estavam ótimas, a médica era bacana, o negócio era só ter paciência e esperar. Até que...

ESTÁ SENTADO!
Com 34 semanas eu fui fazer uma ultra e verificou-se que o bebê estava sentado. Ficamos preocupados, mas até então ainda tinha tempo para ele virar. Comecei a tomar homeopatia e fazer exercícios (ficava quase de ponta cabeça apoiada na tábua de passar roupas). Nada. Com 37 semanas já estava ficando nervosa, meu sonho de ter um parto natural na Casa de Parto estava se desfazendo, afinal, bebê pélvico é indicação certa de cesárea, mesmo assim não desistia de tentar tudo para ele virar, fui fazer moxa e tomava água da garrafa verde (cromoterapia) até não agüentar mais.

Diziam para eu conversar com o bebê, eu pedia, conversava, implorava... cheguei ao ponto de exigir que ele virasse imediatamente, mas nada, ele continuava sentadinho. Apenas os familiares mais próximos sabiam da situação, para todas as outras pessoas dizíamos que tudo estava correndo bem (para não escutarmos coisas do tipo: "Ih, não virou? Vai ter que ser cesárea!") Minha sogra dizia que minha barriga ainda estava muito alta, que tinha tempo; minha mãe falava para eu me acalmar, confiar na natureza, que quando mudasse a lua ele virava. A lua mudou, minha barriga baixou e, nada. Com 38 semanas comecei a surtar, ligava para a minha doula 200x ao dia.

Todos estavam empenhados para fazer o bebê virar: a Dorothe fez moxa, a Geórgia fez moxa, o Marcos aprendeu a fazer moxa (meus dedinhos dos pés ficaram completamente chamuscados), eu fazia rituais, pedi ajuda para o universo, fiz promessa para N. Sra do Bom Parto, para a Desatadora dos Nós. Fomos em uma médica que tentou virar o bebê com acupuntura e massagem e... NADA. Saí do consultório chorando...

Não poderia ir para Casa de Parto, não tinha dinheiro para pagar hospital e médico, meu sonho estava indo por água abaixo e só de imaginar que eu seria cortada já me davam arrepios. Foi então que a minha doula disse: "Que tal tentarmos a versão externa? O Dr. JK faz".Eu e o Má nos olhamos, será que deveríamos tentar? Será que a doula não estava delirando? Deveríamos confiar? Comecei a pesquisar tudo sobre versão externa, confesso que fiquei com um pouco de medo, havia riscos, mas os olhos da doula e suas palavras de ânimo me traziam confiança.

Marcamos a versão para o dia que eu completaria 39 semanas. Foi então que eu comecei a ter uns sonhos muito loucos, sonhava com o meu parto e que o Pedrinho nascia pélvico, eram sonhos muito reais. O Má sonhou que o Dr. J. e o Dr. Dráuzio Varela (?!) tiravam o bebê, viravam pelo lado de fora e colocavam dentro de mim de novo na posição certa(rs).

A essa altura a minha obstetra, que não tinha gostado muito da história fazer a versão (mas concordou porque sabia da capacidade do médico), já falava com convicção: "É a última tentativa, se o bebê não virar vê se não vão inventar moda, hein!"

Fui fazer a versão externa em um hospital público no mesmo dia em que a minha doula dava um curso para doulas. Chegamos ao hospital meio apreensivos, eu tive que me separar do Marcos para me preparar, foi então que o Dr. JK se apresentou, ele transmitia tanta segurança que meu medo passou. Logo ele foi buscar o Marcos. A tentativa de versão foi feita numa sala onde mais três mulheres estavam em trabalho de parto, eu me sentia uma cobaia de laboratório: além do Dr. J. havia mais dois médicos, vários residentes, as aspirantes a doula (Socorro Moreira e Patrícia Merlin), a doula (tirando fotos) e as parturientes me olhando. Foi muito dolorido, e o pior, o bebê não virou.

Caí em prantos, entrei em desespero "Meu Deus, por que comigo? Tantas mulheres fazendo cesárea sem necessidade, e eu que quero tanto um parto normal não posso tê-lo?" Foi então que o Dr. J. (talvez por dó em ver minha decepção) disse baixinho: "É possível fazer um parto pélvico". Aquela frase soou como música para meus ouvidos, ainda restava uma última chance (por menor que fosse). O plantonista que me deu alta disse: "Você é corajosa, passar por tanta dor só porque você quer sofrer mais!" (Sofrer... palavra estranha para designar um parto).

Naquela noite eu e o Marcos dormimos abraçados e chorando muito. No dia seguinte liguei para o consultório da minha médica para falar do resultado, a secretária me disse friamente que era para eu conversar durante a consulta (que seria dali a dois dias), achei um absurdo o descaso, eu e o Má nos olhamos (cúmplices): "Vamos procurar o Dr. J.." Liguei para a doula que adorou a idéia. Enquanto isso, muitos pressionavam para marcarmos logo a cesárea.

Como explicar que, no fundo, eu tinha esperança de um parto normal, podem me chamar de romântica, mas eu queria ter a surpresa, não saber ao certo quando o Pedrinho nasceria, estar comendo pipocas e sentir as contrações, queria a correria e não uma cesárea marcada, fria, burocrática, tecnocrata... Minha sogra questionava: "quem é essa doula que põe essas idéias doidas na cabeça de vcs? E esse Dr. J.? Vcs estão loucos, mudar de médico na última semana de gestação!!!" Minha irmã caçula, Estrela, implorava: "Faz logo a cesárea e tira esse bb daí!" O amigos estranhavam: "Ainda não nasceu? O que vcs estão esperando para fazer a cesárea?" Nós não respondíamos nada, para evitar o estresse.

Quando chegamos ao consultório, o Dr. J. tomou um susto: uma grávida de 39 semanas pedindo para ele fazer o parto de um bb pélvico, se possível, parto normal. Não sei como, mas ele topou a loucura. Para que tudo desse certo seria preciso que eu chegasse ao hospital já em trabalho de parto e ninguém poderia saber da posição do bb. Para isso precisaríamos da ajuda da parteira Parteira M., que ficaria comigo em casa até o momento limite para irmos ao hospital. Tudo combinado. Quando eu completei 40 semanas fui à consulta e estava tudo bem comigo e com o bb, porém o aparelho de medir a pressão estava quebrado, eu iria medir a pressão no dia seguinte no posto de saúde.

A essas alturas minha família estava surtando, diziam que o bb estava passando da época, se o médico havia dito a data que o bb iria nascer, eu respondia rindo: "O bb não vai passar, ele não vai nascer queimado; eu fui ao médico, não há uma consulta com a mãe Dinah". No dia seguinte, fui ao posto medir a pressão: estava 15 x 10. Ligamos para o Dr. J., a pressão estava alta, existia suspeita de pré-eclâmpsia. Senti uma contração forte. A minha doula e a Parteira M. foram para minha casa, nada da pressão abaixar. Dr. J. pediu que fôssemos ao hospital fazer exame de proteinúria. Fomos ao hospital no final da noite, enquanto aguardávamos o resultado fomos jantar num restaurante japonês.

A Parteira M. a toda hora dizia que eu não estava com cara de quem está com pré-eclâmpsia. O resultado do exame dizia que a taxa de proteína estava alta. Comecei a chorar compulsivamente, eu era mesmo uma azarada, tudo tinha que acontecer comigo, só podia ser castigo... Parteira M. tentava me animar, dizia que Deus não ia me desamparar e que era para eu confiar. O Dr. J. mandou que eu fosse ao hospital onde seria o parto para fazer uma sulfatação. Eu iria ficar sozinha no hospital, comecei a entrar em pânico. Comecei a rezar e a tomar floral de golada. Novamente tiraram minha pressão que, para nossa surpresa, baixou para 13 x 11. Parteira M. ficou contentíssima, "eu sabia", ela dizia. A doula ligou para Dr. J. e o convenceu a me liberar. Fomos todos dormir. No dia seguinte, pela manhã, fui medir a pressão que estava 11 x 7.

Fiquei feliz da vida, porém, no final da tarde, ela voltou a subir, chegou a 16 x12. Eu pensava a todo instante "Vou morrer". Dr. J. disse que o melhor que eu tinha a fazer era tomar um calmante natural e dormir. Naquela noite minha irmã, Dani, veio em casa, eu chorava deitada na cama e o Marcos chorava sentado no chão, num canto do quarto. Ela ficou nervosa com a cena e telefonou para doula que tentou acalmá-la. Então chegamos à conclusão de que não deveríamos nos abater, tudo daria certo.

O DIA P
Começamos a conversar, contar piadas e, a certa altura, eu já estava bêbada de sono devido ao calmante e dormi no meio de uma história de um galho (???) que eu contava (a Dani e o Má tiram sarro de mim até hoje). No dia seguinte (29/03/03) eu me sentia bem melhor, às 8:00h comecei a sentir contrações a cada 5 minutos. O Marcos avisou a minha doula, a Parteira M. e Dr. J.. Elas chegaram em casa lá pelas 10:00h. Foi feito o exame de toque, estava com 1cm de dilatação. Até então era só diversão, as contrações não eram tão doloridas, dava para conversar, contar piadas. Na hora do almoço estava morrendo de fome e comi um pratão de macarronada.

Foi então que, não sei se por efeito do macarrão, que a dor começou a piorar. A Parteira M. fez outro exame de toque e então a bolsa estourou. Aí a coisa começou a esquentar, acabou minha vontade de contar piadas, eu só sentia dor, dor, dor. Fomos para o hospital, pega mala, pega bolsa, pega floral (esqueci as lembrancinhas e o enfeite da porta). No caminho para o hospital vou xingando a prefeita a cada buraco que o carro passa. O Marcos errou o caminho, toca fazer um retorno. Já estava ficando vesga de dor. Quando chegamos ao hospital a Parteira M. pediu para eu disfarçar para não chamar muito a atenção, a doula e o Dr. J. esperavam na recepção. Eu entrei tentando fazer uma cara de "está tudo bem".

Na recepção sinto uma contração fortíssima e agarro a doula que me faz massagem nas costas. As grávidas, que também aguardavam na recepção (para suas devidas cesarianas), ficam alvoroçadas para saber o que estava acontecendo (parto normal é coisa rara) e quem era aquela moça que fazia massagem, eu, em pleno trabalho de parto, tento explicar mais ou menos o que é uma doula. Ouço uma grávida dizer: "Ah, eu também quero..." Tudo liberado, pedem para eu e o Dr. J. subirmos (sei lá para que, a dor era tanta que eu esqueci algumas coisas), quando eu vi o tamanho da escadaria que eu tinha que subir fazendo cara de "tudo bem" (no hospital não podiam saber que o bb estava pélvico, senão já viu.

Além disso, era preciso que eu não tomasse anestesia.). Respirei fundo e comecei a subir os degraus. A cada degrau uma pontada. Entramos numa salinha, a enfermeira embaçava, pediu um monte de dados, o Dr. J., impaciente, perguntou se ele não poderia preencher os formulários no quarto, ela fingiu que não ouvia. Eu tinha vontade de gemer, de gritar, de mandá-la para a P.Q.P., mas não podia. Ela perguntou se podia me levar para fazer a raspagem dos pêlos e a lavagem intestinal, Dr. J. disse que não era necessário, ela arregalou um baita olho e respondeu: "o Sr. é quem sabe..." Entramos no quarto, estavam lá o Marcos, a doula, a Parteira M., Dani e Estrela, o pessoal do hospital não entendia nada, afinal o normal é ir direto para a sala de pré-parto. Deitei na cama, estava com 6 cm de dilatação. Foi feito o monitoramento.

A essas alturas eu gritava de dor e, claro, pedi qualquer coisa para aliviar. Aplicam Plasil (que não adianta nada). Fui então para o chuveiro. A doula começou a tirar a roupa (será que vai virar a mulher-maravilha?), ela estava com um biquíni por baixo (êta mulher preparada!). Ela entrou no box junto comigo e fez massagem. Então ela, tentando me distrair, perguntou: "Qual foi o dia mais feliz da sua vida?" Eu, meio delirando de dor, lanço o seguinte: "Você quer mesmo que eu responda?" Eu estava morrendo de dor e ela ainda queria que eu lembrasse alguma coisa?

Ainda assim eu falei do dia do meu casamento. Passado algum tempo ela estava cansada e pediu para o Marcos entrar e fazer massagem, ele arrancou a roupa e ficou de cueca (imaginem a cena) só que, na correria, fizemos a minha mala e esquecemos de fazer a dele, ou seja, ele assistiu ao parto com a cueca molhada (rs...). Ficamos abraçados embaixo d'água, ele me fazia carinho, dizia que me amava, para eu ser forte, que logo nós estaríamos com nosso filhinho nos braços. Eu estava ficando cansada, queria dormir e só acordar quando o Pedrinho estivesse nascendo, a todo momento eu perguntava: "ainda falta muito?" A dor aumentava cada vez mais, a certa altura eu já estava urrando (um visitante que estava no quarto ao lado veio ver o que estava acontecendo pois meus gritos estavam alarmando todas as mães (de cesárea) do corredor). Num momento de extrema dor pedi para me darem algo, uma porrada e, como ninguém me obedeceu, eu mesma fiz o serviço e me dei vários tapas na cara.

Então a Parteira M. resolveu agir e me disse numa voz bem séria: "Você já chegou até aqui, agora falta pouco. Se você continuar assim vai aparecer alguém para te dar uma anestesia e aí vai ser cesárea, você quer?" Fiquei com vergonha do meu papelão, e voltei a me concentrar, caí na real. Foi então que chegou a cadeira de rodas para me levar ao centro obstétrico, ao chegar lá fui recebida com sorriso pela Dra. A., assistente do Dr. J.. Eu continuava pedindo alguma coisa para aliviar a dor (baixinho, para o anestesista não ouvir). Aplicaram-me uma dose mínima de Dolantina, o efeito foi mais psicológico, eu consegui me concentrar mais.

Fiquei de cócoras, ora apoiada pela doula (abraço gostoso...), ora apoiada pelo Marcos. De quando em quando aparecia alguém do hospital para ver aquela cena inusitada, uma mulher de cócoras no chão do C.O. que se recusava a tomar anestesia. Sentia um baita calor, o Má arranjou uma tampa de tuperware para me abanar. Tive sede, o anestesista proibiu a enfermeira de me dar água, nós ignoramos a ordem (não íamos precisar dele mesmo). De repente, um celular toca Besame mucho, era a esposa do Dr. J. querendo saber se estava tudo indo bem, ela também estava na torcida.

Depois me colocaram na cama e eu fiquei de lado. A certa altura a Dra. A. falou: "Que lindo, já dá para ver o bumbunzinho!" Eu fiquei super emocionada. Então me colocaram na posição tradicional. Eu não sentia mais tanta dor, apenas uma vontade enorme de fazer força, força, força... A doula falava para eu relaxar, eu obedecia; a Drª Andrea falava para eu fazer força só na barriga, eu obedecia; a Parteira M. falava para eu soltar o corpo como se fosse uma boneca, eu obedecia; o Dr. J. me orientava para ora segurar o ar, ora soltar, eu obedecia. O Marcos me beijava, me abanava, rezava... Várias pessoas começaram a entrar na sala.

O Dr. J. pediu para a Parteira M. empurrar minha barriga para o bebê não virar pescoço. De repente todos ficaram em silêncio, eu sabia que faltava pouco. Comecei a fazer ainda mais força e a pedir a Deus que meu filho nascesse bem. Então meu corpo começou a tremer, senti um calor inexplicável, era uma energia imensa que entrava pela minha cabeça e saía entre minhas pernas. Então senti o Pedrinho saindo... Nasceu!!! Silêncio... "Será que está tudo bem?" Foi então que escutei um chorinho, era ele, o meu filhinho... Todos nós acompanhamos o choro do nenê e também choramos. Havia no olhar do Marcos um brilho que jamais esquecerei. Colocaram o bebê sobre mim que me olhou com aquela carinha linda, todo enrugadinho... Eu apenas consegui dizer: "Bem vindo ao mundo, meu anjo. A mamãe te ama muito".

Agradeci a Deus, a N. Sra, ao universo, ao Marcos por ser um companheiro maravilhoso, à equipe de anjos (Minha doula, Parteira M., Dr. J., Drª Andrea) que permitiram que eu realizasse meu sonho. Sentia-me realizada, a mulher mais poderosa do mundo.

Ter um filho, para mim, foi algo sagrado. Nós, mulheres, somos seres abençoados. Símbolo de fertilidade, doamos à humanidade o leite (de nossos seios) e o mel (de nosso afeto). Gerar uma vida é um prazer inenarrável, indefinível, afinal, para que explicar "o mistério das coisas deste mundo?" (Drummond)

Pedro Gabriel Magalhães Diniz nasceu no dia 30/03/03 à 00:45 h, de parto normal, pélvico. É um bebê calmo, saudável. Minha recuperação foi super rápida.

Gostamos de ficar os três deitados na cama, abraçados. De vez em quando ele olha para nós e dá um sorrisão. A vida não é maravilhosa?

Com relação ao parto muita gente me achou vitoriosa, batalhadora, guerreira, alguns me chamaram de egoísta ("onde já se viu arriscar a vida de um filho para ter um parto normal a qualquer preço só para ficar bem depois"), outros me acham louca ("querer sofrer, sentir dor, num parto normal). Aos que me acham egoísta digo que fui egoísta no sentido de querer me preservar, estar bem para poder me dedicar inteiramente ao meu filho. Àqueles que me chamam de louca, respondo com a música dos Mutantes: "mais louco é quem me diz que não é feliz... EU SOU FELIZ!"

Debora Regina Magalhães Diniz (SP, 25/05/2003)

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