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O Nascimento de André
A partir do momento em que soube da gravidez, senti que algo iria
mudar em minha vida. Muita festa, muitos conselhos e muitas recomendações
angustiantes de como seria minha vida dali pra frente.
Com o passar do tempo, fui vendo que nada em minha vida havia mudado,
apenas uma responsabilidade de cuidar de uma mulher "encantadoramente"
grávida.
A gravidez dessa mulher foi incrível. Percebi como é
realizar um sonho, e que esse sonho vai se realizando aos poucos,
com uma surpresa a cada dia.
Nas primeiras semanas a alegria de ser pai, mas não o sentimento
de ser pai. Nas semanas seguintes, a emoção incontrolável
de ver seu filho pela primeira vez, ampliado é verdade, mas
são alguns centímetros na forma de uma criança
de verdade, e essa criança é meu filho.
A emoção e espanto de ver uma barriga crescer, crescer
e crescer. A angústia de esperar um momento tão mágico
que você não tem idéia do que vai acontecer,
ainda mais que sou pai de primeira viagem. Ainda mais quando sua
esposa chega pra você e diz que quer ter filho em casa. Minutos
de desespero, mas horas de apoio e satisfação com
as informações desse tipo de parto.
De repente, uma ruptura de bolsa, um gelo na barriga (do pai) e
uma criança está por vir.
O nosso parto foi domiciliar. Isso aumenta ainda mais a nossa apreensão
e expectativa de como será o evento mais importante da vida
de duas pessoas, que casaram e hoje vivem juntos, como se fosse
uma brincadeira, mas com muitas responsabilidades.
A Mariana se comportou como uma deusa. Extremamente tranqüila
e serena. Deitada sobre a cama, ali ficou durante quase 6 horas
sentindo contrações a cada, intermináveis,
3 minutos.
Sentia em minhas mãos tamanha dor, mas sentia dentro de
mim, tamanha satisfação em finalmente, sentir aquela
dor. É fácil falar, pois a dor não era em mim,
e sim nela. Sabe o que acontecia depois da dor? Um lindo sorriso
de uma pessoa que iria receber em alguns instantes o maior desejo
de toda a sua vida. Isso mesmo. Ela foi tão forte que ao
final das contrações saia um lindo sorriso. Parecia
que a dor de um parto é como uma dor de dente. Mas sei que
é um pouco pior.
O objetivo dessa mulher era tão claro, que a dor passava
como uma tempestade no caminho de um viajante em busca do paraíso.
De repente, aquela vontade incontrolável de expulsar algo,
que independente de qualquer intervenção, seja de
quem for, quer sair dali. Quem poderá dizer isso melhor é
a própria Mariana. (Vejam o depoimento dela).
Foram os últimos minutos do acontecimento mais emocionante
da minha vida. Passei mal, é verdade, mas foi susto, medo,
alegria, um monte de sensações juntas, que acho que
no final foi bom. Aliás, TENHO CERTEZA DE QUE FOI MUITO BOM...
Todos aqueles minutos que se passaram foram me transformando de
tal maneira, que hoje percebo que eu também me transformei.
EU SOU PAI. EU TIVE UM FILHO.
A partir desse momento, todos os meus objetivos se voltaram para
uma criancinha que daqui a pouco me chamará de pai.E sabe
o que estou perdendo? Sabe o que estou deixando de fazer? Nada.
Absolutamente nada, pois sei que o amor que recebi de meus pais
será o mesmo que darei ao meu filho, pois isso vale a pena.
Isso vale a vida. Isso é amor verdadeiro. Isso é amizade.
Isso é riqueza. Um filho é RIQUEZA...Mesmo que depois
ele me ligue só no Natal, como dizia a propaganda, mas sempre
existirá um filho que me ama muito.
Agradeço ao homem mais incrível que conheci. Ao homem
que está devolvendo às pessoas o direito de realmente
ter um filho. Isso não é loucura. Isso não
é alternativo. Isso não é diferente. ISSO É
NATURAL. FOI ASSIM QUE DEUS NOS FEZ. É ASSIM QUE ELE QUER
QUE NÓS PERPETUEMOS A ESPÉCIE. É ASSIM QUE
TEM QUE SER.
Obrigado Dr. JK.
Agradeço à Dra. M. a à Dr. Andrea
Campos, que também merecem todos os nossos cumprimentos por
fazer parte dessa tão importante equipe.
E à Ana Cris, que com essa sua "militância",
está permitindo que mulheres realizem seus sonhos da maneira
que DEUS fez. Exatamente como Ele fez.
Obrigado a todos que nos apoiaram. A todos que ficaram aqui conosco,
com o pensamento positivo. A todos da nossa família.
Deixo um apelo às mulheres. Acredito que cada um segue a
linha que quiser. Mas peço, principalmente àquelas
que estão em dúvidas, tenham filhos de forma natural.
Não deixem que um sistema movido pelo dinheiro e pelo stresse
das agendas lotadas tirem de vocês o direito de ter um filho
exatamente como vocês querem. Deixem seus filhos virem ao
mundo de forma natural, virgens dos nossos problemas. Isso faz bem
pra ele e pros pais dele. Prefiro ficar com uma imagem do hospital,
de um lugar que perdi uma pessoa querida, e da minha casa como um
lugar em que a vida de uma criança está se iniciando.
Aos pais, dêem apoio às suas mulheres. Sigam em frente
se ela quiser. Não tenham medo. Tenham medo de médicos
que querem operá-las......Isso mesmo OPERÁ-LAS. Cesárea
é uma cirurgia de caráter emergencial. Pensem nisso.
Mulheres...Acreditem que vocês podem.....Se todo o Pré-Natal
foi perfeito, Acreditem que vocês podem.
Como diz Nuno Cobra, o cérebro é burro. O que você
manda, ele faz.....Faça o seu corpo aceitar a idéia.
Faça VOCÊ aceitar a idéia e você jamais
se arrependerá.
Nunca pensei que fosse capaz disso, mas sei que um bebê pára
de chorar quando ele realmente está seguro. E essa pessoa
é a mãe dele. Quando ele passar pelo canal de parto,
imaginem a sensação dele. Coloquem-se no ligar dele.
É o maior trauma da vida de um ser humano. Aí quando
ele sai, vem uma pessoa e o leva embora chorando, desesperado, procurando
aquela pessoa que o carregou durante nove meses. Aí, quando
ele chega seis horas depois, no colo da mãe, ele pára
de chorar. Não seria óbvio. Depois de nove meses num
lugar quentinho, ele sai, é apertado, toma injeção,
fica sozinho e quando chega em seu "porto seguro", pára
de chorar...Poxa vida....Que coisa espantosa.
Meu filho tomou banho de sol NATURAL com 24 horas de vida, durante
dez minutos durante três dias. E ele não teve a tal
"icterícia". Não sei como escreve.
Ter filho em casa é natural. Ter filho em casa é
seguro. Ter filho em casa é inesquecível.
E será que sou uma pessoa estranha? Alternativa? Louca?
Apaixonada? Diferente?
Hoje eu sou diferente sim....Sou diferente, pois tenho uma mulher
diferente vivendo ao meu lado.
Abraços e pensem que a vida é única.
Não deixem de ler o depoimento maravilhoso do Fernando -
pai da Lis.
César A. C. Betioli - "o pai mais feliz do mundo".
Veja
o relato da mãe Mariana
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