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A Expectativa:
Meu trabalho de parto começou + ou - no final de 2001 que
foi a época em que eu conheci o site
Amigas do Parto e li o depoimento do DR. Ricardo sobre o nascimento
de um bebe de + de 5 kg.
Aquele depoimento me marcou tanto que eu escrevi para o Dr. Ricardo
e percebi o quanto eu estava enganada sobre este assunto.
Li, reli, perguntei 10000000000 para Ana Cris. Ana Paula e Roxana
E o útero, rompe ou não rompe?
A preparação
Não, não rompe, o Homero não rompe, é
a cabeça que tem que romper...
A gravidez da Marina foi tão linda e o pos-parto tão
tranqüilo (embora uma luz vermelha piscasse ininterruptamente)
que eu quis outro bebe.
Não, eu não quis outro bebe, eu quis outro parto,
outra chance.
Muito tempo da minha vida eu fui estudante e a relação
causa/efeito era clara para mim: estudava, nota boa para a prova,
não estudava: zero! Estudando e fazendo o melhor eu nunca
falhei.
Pro parto, a prepararão foi igual. Eu não ia falhar...
Santa Inocência
É eu tenho esse defeitinho de fabrica: acho tudo sempre
simples e tenho sempre certeza absoluta de que as coisas dão
certo no final. Coisa de sagitariana.
-HCG POSITIVO:
Eu fiz outro bebe (quero dizer, fizemos!) E os nós foram
surgindo:
não este médico não, aquele também não!
E agora: um médico disse não de cara, outro apostou
comigo uma caixa de cerveja de que não daria certo e o terceiro,
que disse sim, estava mentindo...
A Gravidez:
Foi um tumulto. Trabalhei demais, perdi minhas aulas, apreenderam
meu carro, meus pés incharam.
Os meses foram passando e eu via o mundo, redondinho, dar voltas
e nos fazer voltar ao ponto de partida...
Conheci a minha doula pessoalmente e Ana Paula e o Dr. J.. Pronto
tudo perfeito, cercada de carinho atenção e planos,
nada podia dar errado.
Os Últimos dias:
A Lívia tinha DPP 21/09 eu sabia identificar o trabalho
de parto e ele estava se aproximando. Eu estava exausta, enooooorme!
Toda inchada, mas feliz porque estava próximo o dia de provar
que eu era capaz...
Minha Família:
Nunca, em nenhum momento, minha família acreditou em mim.
Só meu marido. Minha mãe concordava com meus argumentos,
mas achava que era loucura, minha avó repetia cansativamente
todas historias macabras de partos que ela conhecia.
Mas todos lá em casa me conheciam e desistiram de me importunar
com palavras, mas os olhares eram horrorosos.
O médico do Pré-Natal:
Estou tão traumatizada com o médico do pré-natal
que desde o parto nunca mais voltei em ginecologista algum e nem
sei se vou voltar!
O Trabalho de Parto:
Sumi do consultório do médico que me atendia e passei
a me comunicar apenas com a doula e o Dr. J..
No sábado de manhã, (18/09) acordei furiosa, irritadíssima,
com contrações muito doloridas para serem de Braxton.
Não almocei direito e comecei a cronometrar: contrações
regulares a cada 5 minutos.
Liguei para o Dr. J. e para a minha doula e descobri que eles estavam
num parto demorado em SP e iam demorar para chegar na minha casa.
Fui para casa e chamei a Dorothe (anjo da guarda!) que veio com
bola suíça, bolsa de água quente, óleo
de massagem, e touca de cabelo.
Ah Dorothe, Obrigada!
Esperamos juntas ate umas 11 horas da noite pela chegada de uma
parteira francesa, a Violene.
Ela se perdeu, bateu o carro e enfim chegou e eu cada vez mais
ansiosa. Assim que chegou fez o primeiro toque: 1 dedo! Eh... as
coisas tem seu tempo...
Me acalmei me concentrei e em torno da 1 hora da madrugada chegou
a doula, O Dr. J., a Dra. Mesma e a Dra. Andreia.
Passei a noite toda escorada em almofadas sentada no sofá
da sala e vendo as pessoas da equipe se alternarem em ficar comigo
e descansar um pouco. Cochilei alguns instantes e assim que amanheceu
o dia procurei comer um pouco e me movimentar.
Fui no quintal, me agachei, dancei, recebi massagens, sentei na
bola por horas e +- as 11h da manhã foi feito outro toque:
4 para 5 cm!!!
A seqüência dos fatos me parece um pouco confusa (a
lembrança do domin go eh toda confusa)
Lembro do chuveiro, lembro do almoço (macarronada com um
cheiro insuportável de queijo ralado), me lembro de deitar
de 4 na cama e da bolsa (que já tinha se rompido um pouco)
fazer PLOFT e explodir aguaceira sobre minha cama. (acho que eram
umas 4 da tarde).
Depois disso as dores ficaram horrorosas. Fui com a bola para o
chuveiro e todos enchendo uma banheira portátil de água
quente. No chuveiro, gritei, reclamei e implorei para aquilo acabar
por um tempo...
Quem eh que era mesmo o dono da idéia imbecil de parir em
casa?
(acho que era a transição).
Fui de novo para a banheira tremendo de frio fazer outro toque:
8 para 9 cm, bebe alto e um rebordo de colo de útero. E ai
então o Dr. J. avisou que faria uma manobra: deitada,
de pernas abertas na banheira e fazendo força na contração.
O pesadelo:
Foi aí que o sonho virou pesadelo, instantes após
esta manobra, o médico viu sangue sair e disse no meio do
zum-zum-zum que era muito sangue para ser coagulo e que iríamos
para um hospital.
Eu olhei para todos e disse:
Eh piada, não eh? Eu não posso entrar num carro agora
e ir para o hospital.
Mas a doula veio conversar comigo e disse que era necessário
e o pior que iríamos para Campinas!
E fomos: eu e a Ana no banco de trás do carro do Dr. J.
e meu marido no carro da frente (era o único que sabia o
caminho) Antes de sair de casa eu havia visto o rosto do Claudio
e sabia que ele estava em pânico...
Mas foi tudo bem. Foi a viagem do Inferno, mas chegamos bem para
abraçar o capeta...
Nas contrações eu não podia fazer força,
então grudava na mão da doula, no vidro do carro
e assoprava não sei o que.
A Maternidade:
Chegamos na maternidade Campinas em torno das 19 h e da recepção
vazia fui direto para a enfermagem me trocar...
Me deram o saco de vestir do Centro Cirúrgico e a enfermeira
queria que eu me deitasse de costas numa maca para me depilar.
Há, Há, Há, acho que depois de rir histericamente
eu gritei um bocado com a moça.... Alias eu acho que gritei
e xinguei umas três ou 4 enfermeiras fora o anestesista e
a coitada da Violene.
Obs: a Violene entrou comigo no cc e ficava repetindo tranqüila
num portú-frances meio enrolado e eu fui grossa com a moça
no mínimo umas dez X... Aqui peço desculpas publicamente...
Já na maca o Dr. J. me colocou as opções:
1º. Anestesia de emergências + fórceps ou
2º. Anestesia de emergência + cesárea.
Mas minha filha estava alta e o rebordo continuava lá de
forma que foi feita a cesárea...
A anestesia funcionou como um sossega leão seguido de um
balde de água fria. A doula tinha ficado na recepção
e me lembro de ter perguntado por ela no mínimo 10 X.
O Claudio chegou no CC com a fantasia típica do local e
eu ali amarradinha ainda tentando convencer o anestesista a soltar
meus braços e o pediatra a não pingar o nitrato de
prata nos olhos da pobrezinha...
A Cesárea.
Não há o que descrever...
A maternidade Paleolítica:
O bebê foi para o quarto junto comigo e a colocaram para
mamar cerca de duas horas após a cirurgia (eu tinha tomado
a Raqui e recebido recomendações para não levantar
a cabeça) e simplesmente a largaram lá!!!
Sem acompanhante, 2 dias sem dormir e a bebezinha deitada mamando
no minha cama.
Dormiu! Enfermeira, dormiu, leva pro berçário que
eu preciso dormir um pouco
"agora não da, o berçário esta sendo
higienizado!"
Fiquei nesta situação lastimável ate as 4
horas da manhã, quando levaram a Lívia e eu pude dormir
um pouquinho...
Vou dispensa-los de todos os detalhes sórdidos, mas vi bebe
tomando NAN a rodo na maternidade, mulher sendo acordada para tomar
banho as 2h da matina.
As berçaristas levavam os bebes para o berçário
em horários absurdos tipo: 4h, 11h, 16h, e 23h. e traziam
uma ou duas horas depois. Discuti ate cansar, depois aproveitava
estes horarios para dormir, tomar banho ou ver tv...
Tive leite o tempo todo e a Livia nasceu ótima com 3,950Kg
e 52,5 cm. Consegui a alta um pouco antes do previsto assinando
um termo de responsabilidade por a LILI sair sem fazer o teste do
pezinho e terça-feira antes do almoço eu já
estava em casa.
Conclusões
Demorei para fazer o relato por causa dessas tais conclusões
(que não concluem nada também).
Senti culpa, ódio do mundo, mais um pouco de culpa, raiva
dos médicos em geral, um pouco de raiva da lista, mais um
pouco de culpa...
Fiquei semanas sem poder falar ou ouvir falar sobre parto.
Agora acho que esta cesárea, foi a conseqüência
das cesáreas anteriores. A única necessária
e a mais difícil de engolir.
Cheguei a dizer (logo nos primeiros dias) que este parto foi o
melhor anticoncepcional que eu poderia ter tomado, pois nunca mais
teria filho, só adotado...
Agora realmente sei (?) que não quero mais filhos, mas o
motivo não eh o parto (afinal depois de te-los temos que
cria-los não eh mesmo?).
Na verdade Deus me deu 2 filhas meninas-mulheres. Acho que quando
minhas filhas forem ter seus bebes eu vou poder participar e ajuda-las
a parir naturalmente e então ter um pouco do que eu nunca
tive, sentir um pouco o que eu nunca vou sentir...
Obrigada!
Obrigada A. e D. (minhas doulas), vocês são dois anjos
iluminados, sinto falta das duas diariamente.!!
Obrigada Violene, você foi uma das que eu mais judiei...
Obrigada Dr. J., Dra. Mesma, Dra. Andreia, sei que o trabalho
de vocês em prol da humanizaçao foi o que os impulsionou
a aceitar meu caso, mas não nego que também senti
carinho e amizade no trabalho de vocês!
Mais do que humanizar o nascimento, eh um trabalho de procurar
com uma lanterna quem precisa de ajuda e dispor de tempo, paciência
e esperança num cenário cada vez melhor!!!
Últimas:
A Lívia esta cada dia melhor, completa amanhã 5 meses
exclusivamente no peito e eh um doce de criança.
Quem quiser ver tem fotos dela e da Marina nas páginas dos
grupos Materna, ME e Partonosso.
Andrea fangel (27 anos)
Bióloga, mãe da Marina (3 anos) e do Ariel (11 anos)e
da Livia (0 mes)
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