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Meu parto seria em casa até eu estar
com quarenta semanas, meu marido queria que eu continuasse com o
medico então dia 12/12 (estava previsto para dia 11) fomos
ao medico. Ele disse que ele não costumava errar, que achava
que o bebê ia entrar em sofrimento se já não
estivesse, argumentei, falei de exames, ele disse de carta de responsabilidade,
falei que assinava e por fim ele disse que ele não continuava,
que eu podia procurar uma segunda opinião, que ele não
garantia nada.
Sai da consulta preocupada, mas pensando que ele
só estava fazendo pressão, mas meu marido ficou nervoso
e depois de muita discussão ( o que era mais importante o
parto ou o bebê?) fomos para São Paulo, depois da consulta,
tudo mais tranqüilo, era só esperar.
Dia 18/12, domingo de manhã, lá pelas 14h soltou o
tampão, as 17h comecei a ter contrações de
20 em 20 min, não consegui dormir, só cochilava, e
ficava relaxando na banheira. Fui ao mercado lá pelas 21h
e acho que foi minha ultima refeição quando cheguei
em casa depois só fiquei no sucos até depois do parto.
Segunda de manhã fui fazer cardiotocografia e ultra-som,
o bebê resolveu dar uma dormidinha no exame, mas tudo ok,
voltamos para casa do meu pai e as contrações de 9
em 9, já era comecinho de tarde e eu tinha consulta as19h
então resolvi esperar pela consulta, afinal as contrações
eram bem toleráveis.
Fomos a consulta, não estava bem disposta
para ir a pé, contrações de 8 em 8 min, o J.
perguntou como eram as dores descrevi, eram só cólicas
com as contrações, na parte da frente, sem dor nas
costas, ele disse que devia ser falso trabalho de parto, ai pensei
se eu não consegui dormir, estou cansada, sem fome, só
tomando suco e com esta dorzinha chata e ainda não é
nada imagina só quando for.
O J. explicou então como faria o descolamento
de membrana, conforme havíamos combinado, se eu tivesse alguma
dilatação, ele fez o toque e falou que estava super
feliz, que eu estava com 5 para 6 cm de dilatação,
me deu uma sensação de até que enfim e ainda
bem que esta dorzinha não é nada, ele perguntou se
preferia passar em casa para pegar as coiasa ou ia direto para o
hospital, fomos para casa.
Pareceu que depois do toque forte, fui para casa tranqüila
mas foi ficando mais intenso e já não era mais qualquer
posição que ficava confortável. Esperar meu
pai se arrumar para irmos para o hospital começou a me deixar
impaciente e o caminho para o hospital pareceu uma eternidade, parecia
que o motorista dirigia de modo brusco (depois perguntei e meu marido
disse que o motorista estava dirigindo normal).
No hospital já estavam 3 contrações
a cada 10 min, estavam suportáveis mas eu estava começando
a ficar ansiosa e agitada, eu queria tirar minha roupa e ir para
debaixo do chuveiro. Quando deixaram entrar para o quarto foi a
primeira coisa que fiz, neste ponto as contrações
já estavam mais intensas e eu não queria mais conversar
nem pensava em mais nada, fiquei de quatro no chuveiro. Neste ponto
já não sei dizer o quanto ou como doía, parecia
que eu estava concentrada em algo que me tirava do mundo.
Em dado momento não quis mais ficar no chuveiro,
fui para cama, fiquei de frente para o encosto, de quatro. Depois
fui para o banquinho de parto e voltei para cama.
Cada vez mais intenso, eu estava muito cansada e só
pensava em dormir tentava me encostar entre as contrações
mas não dava tempo, eu já estava fazendo força
mas parecia que as coisas não saiam do lugar, não
evoluíam e eu só queria dormir um pouco. Neste ponto
comecei a pensar em anestesia , mas ao mesmo tempo tentava resistir,
passava pela minha cabeça que o anestesista já estava
pago, estava incluso no pacote, era só eu pedir, não
sei quanto tempo levou esta conversa comigo mesma mas acabei pedindo
anestesia.
Meu marido tentava me fazer resistir, mas como me
dava raiva ela falar para eu esperar só mais um pouquinho,
pensava 'o que você está se metendo, não é
da sua conta se eu quero anestesia, eu sei que eu queria conseguir
sem, mas se eu mudei de idéia não se meta'. O J.
sugeriu ver a quantas andava e dar buscopam, mas para fazer o toque
eu tive que deitar de barriga para cima, que tortura parecia que
doía muito mais.
Eu já estava com 9 cm, mas para mim pareceu
que faltava muito 'ainda 9cm, o bebê já devia estar
saindo'. Ele sugeriu romper a bolsa, rompeu e deu buscopam, na hoara
passava pela minha cabeça 'seus filhos da P, vocês
estão me enrolando', ao mesmo tempo em que eu queria agüentar
xingava todo mundo na minha cabeça por achar que estavam
me enrolando, falaram que iam chamar o anestesista.
Não me lembro como foi a ordem das coisas
só tenho flash entre as contrações. Começou
a doer muito parecia que eu ia estourar e uma ardência, a
Márcia perguntou ao J. se ele havia feito toque, comecei
a gritar que estava doendo muito, o anestesista chegou, mas o bebê
já estava saindo, quando vi esta evolução já
não queria mais anestesia, porque eu não queria só
pela dor mas porque estava cansada, quando vi que estava nascendo
que logo ia acabar, parece que tive mais forças para continuar.
Alguém disse que o anestesista tinha chego e outra pessoa
falou que não precisava, falou para ele ir embora.
Lembro de gritar que estava doendo e de alguém
dizer que o ardor era normal era o bebê que estava saindo,
eu queria mudar de posição mas quando a contração
veio mudei de idéia, o bebê saindo parece que você
vai explodir, rasgar,sei lá.
Quando apareceu o cabelo lembro de alguém dizer que dava
para fazer uma chuquinha, de tão cabeludo depois alguém
falou uma chuquinha não um topete.
Falaram para eu parar de fazer força para não me machucar,
ai saiu a cabeça dá uma espécie de alivio,
mas continua o ardor, o bebê nasceu! Virei, perguntei se estava
tudo bem pois ele parecia meio molinho, colocaram ele no meu colo,
levaram depois para pediatra. Vi meu marido olhando para o bebê
e chorando sentado em algo.
Queria saber se eu estava machucada pois a sensação
era de que sim. A placenta estava solta falaram para eu fazer força
novo ardor para ela sair, para me examinar também ardia,
não havia machucado, voltaram com o bebê para o meu
colo, tentei dar de mama, mas estava tão cansada, eu que
tinha pensado que quando nascesse não ia querer soltar nunca
só pensava em dormir, passei para o colo do pai, que ficou
todo feliz, recostei e dei uma dormida, vendo apenas parte do que
acontecia, subiram o bebê para o berçário e
a espera para eu subir pareceu uma eternidade, de repente bateu
uma baita de uma fome meu irmão veio me ver e estava trazendo
um pacote de bolacha para o meu marido comi metade, levantei duas
vezes para fazer xixi, pois não fazia desde que chegara ao
hospital, e dormi.
A pior parte não é a dor é o
cansaço, duas noites sem dormir, mas vale a pena, é
uma experiência maravilhosa. O Elias nasceu as 2h02 do dia
20/12 com 51,5 cm e 3440 g
O próximo vai dar certo de ser em casa.
Raquel Hönig - mãe de Elias 39 dias
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