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Julia,
Esse é o relato do seu nascimento, um momento tão
especial da minha vida que resolvi compartilhar com você e
espero que um dia você leia e sinta essa mesma alegria e essa
mesma emoção que senti.
Vou começar contando um pouquinho como foi o nascimento
do seu irmão Gabriel.
Eu e seu pai nos casamos no final de 2002 e já pensávamos
em ter filho logo, e julho de 2003 eu engravidei. Foi uma gravidez
cheia de preocupações, medos e neuroses, que acabaram
se refletindo no parto, embora eu tenha me preparado tanto para
esse momento. Acho que a falta de confiança em mim acabou
por tornar as coisas difíceis e o parto dele acabou sendo
um pouco complicado. O meu tão sonhado parto natural humanizado
acabou num fórceps de alivio com episiotomia, devido a uma
anestesia mal dada. Ele nasceu "molinho e roxinho", embora
grande (3,730kg e 52 cm), recebeu apgar 2 e 7, teve que passar uns
dias na UTI neonatal, mas Graças a Deus não teve nenhuma
conseqüência grave e hoje ele é um meninão
super-saudável.
Quando ele estava com 1 ano engravidei de você, embora não
planejassemos para esse momento, foi uma grande alegria para nós,
principalmente quando descobrimos que seria uma menininha. Nossa!!
Como seria ser mãe de menina??? Nunca me vi colocando laçinho,
roupa rosa e vestidinho num bebê, seria uma experiência
nova para nós e um grande e belo desafio.
Não vou dizer que não tive medos ou neuroses durante
a gravidez, tive, mas foram poucas e mais no começo quando
ainda não podia sentir seus movimentos. Aliás, como
é bom sentir os movimentos de um bebê no ventre, acho
que é a sensação mais maravilhosa que só
nós mulheres experimentamos.
Passado os 3 primeiros meses fiquei bastante disposta e curti cada
momento de sua estada em meu corpo. Não me preparei fisicamente
para o parto tanto como na gravidez do seu irmão que eu fazia
ioga e hidroginástica todos os dias, fiz apenas natação
1 vez por semana e hidroginástica 2 vezes. Mas teoricamente
estava mais informada e sabia muito mais sobre o assunto e acho
que isso me deixou mais segura para tomar decisões como a
mudança de médico com 36 semanas.
Eu sabia que estava tudo bem com você e que minha gravidez
estava perfeita e maravilhosa, mas o médico que fazia meu
pré-natal insistia em pedir exames que não tinham
a menor necessidade, além disso cada vez que ia em alguma
consulta com ele me sentia frustrada e não sentia a segurança
que desejava sentir. Um dia, depois de 2 horas e meia de sala de
espera e 15 minutos na sala com ele percebi que não era por
aí que as coisas deveriam caminhar, que a humanização
não deveria ser só no parto e sim em cada consulta.
Comecei a pensar em tudo que aconteceu durante o parto de seu irmão
e resolvi conhecer o Dr. JK. Foi difícil convencer
seu pai a mudar, afinal faltava tão pouco pra você
nascer, mas foi a melhor coisa que fiz, adorei o Dr. J., o jeito
como ele me recebeu, me explicando tudo de forma clara, dando o
poder de escolher e decidir sobre tudo, me fez sentir uma confiança
enorme de que tudo seria como planejava e sonhava.
Agora era só esperar o momento tão esperado de sua
chegada. E como foi esperado, nesse finalzinho tive um pouco de
ansiedade pois queria que você nascesse antes do natal, sei
que é bobagem, mas pensei em suas futuras festas de aniversário
rssss.
Quando estava com 37 semanas comecei a sentir contrações,
as famosas Braxton, tinha dias que sentia durante todo o dia, às
vezes tinha a noite toda e sempre achava que a qualquer momento
iria engrenar ficava imaginando meu colo se dilatando e dizia em
pensamento "vem Julia, vem filha, vem pro meu colo", mas
nada... Resolvi desencanar e pensei "que ela venha no momento
certo".
Com 38 semanas caiu o tampão, aliás, ele foi saindo
aos poucos por alguns dias.
Quando estava com 39 semanas e 2 dias (17/12/2005 - sábado)
o Gabriel tinha ido passar o dia na casa da sua vovó Diva,
pois precisávamos comprar os presentes de natal dele. Depois
das compras estava com muita vontade de comer numa cantina italiana
e o seu pai me levou no Don Pepe em Moema. Vou te contar uma coisa,
comi tanto, tanto, tanto que seu pai falou que tava até com
vergonha, não deixei sobrar nada e ainda sai de lá
e quis tomar sorvete Corneto, seu pai tava até passando mal
de me ver comer daquele jeito. Claro, que depois de um almoço
desses, fomos para casa e dormi a tarde toda. A noite fomos jantar
na casa da sua vovó para buscar seu irmão e de novo
comi muito, desta vez pizza. Pra completar seu vovô Adilson
comprou morangos para mim e me esbaldei de tanto comer. Parece que
já estava prevendo que seria minha última ceia antes
de sua chegada.
Logo depois do jantar, era por volta de 21h comecei a sentir contrações
fortes, mas sem dor e percebi que elas estavam muito freqüentes,
falei pro Marcello marcar o tempo e percebemos que elas vinham a
cada 3 minutos e duravam cerca de 40, 45 segundos. Após 1
hora de contrações regulares resolvi ligar para a
Doula e ela me disse para contar as contrações
por mais 1 hora para ter certeza de que não iriam parar.
Resolvemos então esperar lá mesmo na casa da vovó,
pois se caso fosse mesmo o inicio do trabalho de parto o Gabriel
já ficaria lá. Depois de 1 hora, as contrações
mantinham a mesma freqüência e continuavam sem dor, mas
algo me dizia que era chegado o momento. Fomos então para
casa e o vovô veio junto para pegar as coisas do seu irmão.
Chegando em casa arrumei a mala do Gabriel, terminei a minha mala
e a sua, deixei tudo separado o que ia levar para a maternidade,
tomei um banho e liguei para a doula de novo e ela resolveu vir
até em casa.
Quando ela chegou em casa (por volta da meia note) as contrações
mantinham o mesmo padrão freqüentes e sem dor. O papai
resolveu ir dormir um pouco e eu e a doula ficamos na sala assistindo
um filme que tava passando na HBO, eu sentada na bola e ela deitada
no sofá. Por volta de 1h eu disse para a doula: "acho
que vai ser isso a noite toda" e ela disse: "vamos esperar
mais um pouco se nada mudar vou embora e volto amanhã".
Terminado o filme, era mais ou menos 1h30, as contrações
apertaram e comecei a sentir dor e uma pressão muito forte
no cóccix. Decidimos ir para a maternidade, pois não
queria chegar lá quando a dor estivesse ao nível do
insuportável. Acordei seu pai, enquanto isso a doula ligou
no Einstein para saber se tinha LDR disponível, não
tinha, mas mesmo assim decidi que seria lá mesmo, pegamos
tudo e fomos.
Quando entrei no elevador, a dor piorou e lembro que respirava
profundamente e falava o que eu chamo de meu mantra: "deixa
dilatar, se solta Adriana, a dor vai trazer sua filha" e assim
foi durante todo o caminho para a maternidade. No carro a pressão
no cóccix era muito grande e não conseguia ficar sentada,
então fui no banco da frente de quatro e falando meu mantra
pessoal. Do caminho o papai ligou para a vovó Beth para avisar,
ela ia assistir ao parto.
Quando o carro parou em frente ao Einstein (quase 2h) foi bem no
meio de uma contração eu estava de quatro e falei
pro manobrista que abriu a porta: "Esperaaaaaaaaaa", quando
a contração passou sai do carro e não parei
fui direto pro elevador, (lembro que me ofereceram a cadeira de
roda, mas eu não podia nem pensar em sentar) não esperei
nem o seu pai, que estava tirando as coisas do carro. O segurança
veio atrás e disse: "deixa que eu acompanho ela"
e me levou até o 5º andar. Entreguei o envelope onde
estavam todos os documentos para a internação para
a moça da recepção, o papai chegou e continuou
a cuidar da burocracia, enquanto isso eu andava sem parar pelo corredor
sentindo uma dor enorme e muita pressão.
Pedi para a moça da recepção para não
demorar, pois não estava agüentando, senti que minha
calçinha ficou molhada, achei que a bolsa ia romper e tava
vazando um pouco. Fui para a sala da triagem, a doula chegou,
a enfermeira me deu uma camisolinha e disse para eu vestir, fui
pro banheiro e quando tirei a calçinha vi que tinha um pouco
de sangue e não água como eu achava, fiquei com medo
e de lá de dentro chamei a doula que disse que era normal devido
a dilatação. Não consegui terminar de me trocar
estava só de tope, a enfermeira falou para eu deitar assim
mesmo para ela me examinar, essa hora foi a pior, deitar era horrível,
a pressão era insuportável.
Ela fez o toque e falou: "dilatação completa
com rebordo" a doula correu e ligou pro Dr. J., a enfermeira
queria que eu fosse para a sala de parto, mas eu não conseguia
sair dali a dor tava terrível e cheguei até a me desesperar
e falar para a doula "eu não vou agüentar".
Mandaram seu pai se trocar (colocar roupa esterilizada) a doula pediu
para a enfermeira pegar para ela a roupa para não ter que
sair do meu lado.
Quando todos saíram e só estava eu e a doula senti
o puxo involuntário e gritei "estou fazendo forçaaaaaaaaa"
(estava sentada na maca de triagem, não conseguia sair dali),
a doula falou: "pode fazer" veio outra vez o puxo e uma
ardência forte na vagina e desta vez deitei e você,
minha filha, saiu inteirinha de uma vez, a bolsa estourou na hora
e quem te pegou foi a doula e colocou direto em cima de mim, toda
meladinha e com os cabelinhos verdinhos de mecônio.
Nessa hora senti uma sensação que não dá
pra dizer, hoje entendo quando algumas mulheres dizem que é
uma sensação orgasmica, é isso mesmo, é
uma sensação indescritível. A dor vai embora
totalmente, sentia apenas uma ardência na vagina. Quando seu
pai apareceu na porta todo paramentado, você já estava
no meu colo, ele riu e ficou muito contente quando te viu.
Você nasceu as 2h10 do dia 18/12/2005, recebeu nota de apgar
8 e 9.
Como você é linda!!!! Moreninha e cabeluda. Uma princesinha!!
Pedi para a enfermeira esperar o cordão parar de pulsar
para cortar, ela esperou um pouco, mas teve logo que cortar, pois
eu estava com um sangramento um pouco excessivo, comum num parto
tão rápido. Além disso, a pediatra que chegou
em seguida, queria te examinar logo por causa do mecônio,
ela cortou e ai me levaram com você no colo até a sala
de parto, lá ela te examinou, te aspirou, te limpou, te deu
vitamina K via oral (consegui que não fosse injetável)
e não pingaram colírio de nitrato de prata, te pesaram
- 3,380 kg (seu pai tava tão emocionado que a foto saiu tremida)
e mediram - 51 cm e logo você voltou pro meus braços.
O Dr. J. chegou junto com a Dra. M. e Dra. A.,
me examinou e constatou que não teve nenhuma laceração
importante no períneo, minha placenta ainda não tinha
saído e ele sugeriu que você começasse a mamar
para estimular a contração uterina e ajudasse na dequitação
(saída da placenta). Enquanto você mamava senti uma
coliquinha até que toda a placenta saísse. Pedi para
que guardassem, pois quero enterrar e plantar uma árvore
em cima. É uma forma de agradecer a natureza e a Deus por
um parto tão maravilhoso e por você ter vindo com saúde
e perfeita.
Depois disso fui levada para uma sala de pré-parto onde
a sua vovó Beth pôde entrar, eu estava numa euforia
enorme, também entrou o, Dr. J., Dra. M., Dra. A.
e doula, foi muito gostoso, conversamos sobre o parto e eu estava
radiante com você no colo.
Sua vovó Beth deu o 1º banho em você junto com
a doula que fazia alguns movimentos com você na água
que te deixaram super-tranqüila. Eu também tomei um
banho e depois de algum tempo fui levada para o quarto, nisso já
era 5h30 e eu não tinha sono, minha adrenalina estava a mil,
além da alegria e vontade de estar com você, mas infelizmente
não consegui que você ficasse comigo direto, tivemos
que cumprir as ordens do hospital e você ficou 3 horas em
observação no berçário. Nesse tempo
tentei dormir, mas pouco cochilei, logo deu 8h e quis ver o jogo
do São Paulo, até acordei o seu pai para ele ligar
a TV pra mim.
Logo você veio para mamar e ficar ao meu lado...
Te amo! Mamãe
Agradecimentos:
Obrigada filha, por esse momento mágico que você me
proporcionou, sou muito feliz por tê-la ao meu lado e farei
de tudo para fazer de você uma mulher realizada.
Obrigada Marcello, por acreditar em mim e estar ao meu lado em
todas as decisões que tivemos que tomar. Te amo!
Obrigada A., que esteve ao meu lado nessa linda viagem e
que me transmitiu uma força enorme.
Obrigada Dr. J. pela confiança que me passou nesse pouco
tempo que nos conhecemos.
Um grande beijo para Dra. M. e Dra. A..
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