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Foi através da Mammy to be numa palestra sobre
parto humanizado com a Ana Cris que comecei a pensar no parto e
comecei a questionar minhas idéias. Até aquele momento,
parto pra min não era uma coisa pra se pensar, e sim que
simplesmente acontecia e que seu médico faria da forma que
ele achasse melhor e que cesárea ou normal tanto fazia..
Comecei a pensar a respeito e cheguei a conclusão que se
tudo corresse bem durante toda a gravidez, que eu queria trazer
meu filho ao mundo da forma mais natural possível, queria
participar ativamente desse momento da minha vida.
Me preparei bastante para isso, fiz ioga, fiz hidroginástica
e meditação... Fiz o plano de parto e fui conversar
com médico (Dr. CB), saber a opinião
dele, para minha surpresa ele foi maravilhoso e concordou com tudo
que optei. Falei que tinha escolhido o Albert Einstein e que queria
que fosse no Labor Room e não no centro cirúrgico,
ele concordou e na consulta seguinte levei a Doula para
eles se conhecerem. Ficou tudo acertado. Fiz o curso de preparação
pro parto com a minha doula e ao ver os vídeos de partos naturais
tive mais ainda certeza de que era isso que eu queria pra mim.
Tudo foi correndo bem até que quando estava de 37 semanas
tive uma pequena diminuição do liquido aminiótico
e passei a ser monitorada a cada 2 dias (cardiotoco e us com dopler)
ia me encontrar com o Dr. C. no Santa Catarina, para ver se
estava tudo bem para que eu pudesse aguardar o trabalho de parto
começar... E Graças a Deus, tava tudo correndo muito
bem.
Quando estava com 39 semanas e 5 dias, era dia 05/03/2004, minha
mãe estava em casa e eu dizia para ela que tava me sentindo
estranha, quando foi umas 16hs ligaram dizendo que meu vô
(pai da minha mãe) que estava internado já algum tempo,
tinha falecido, ficamos muito triste, mas ao mesmo tempo aliviadas
pois ele já estava sofrendo muito e nem reconhecia mais ninguém,
Minha mãe teve que sair para ir contar pra minha vó,
para meu tio e para resolvi toda a burocracia de enterro, etc...
Quando ela saiu ainda disse para a minha barriga: Gabriel espera
a vovó, pois quero assistir seu nascimento. Foi ela sair
e comecei a sentir contrações fracas, liguei para
meu marido e pedi para que ele não demorasse para chegar
em casa porque estava sentindo contrações e que elas
estavam ficando cada vez mais fortes. Ele chegou por voltas das
19h30.
Ligamos para meu médico que falou para que eu ficasse calma,
jantasse, tomasse banho e fosse calmamente para a maternidade. Foi
o que fizemos... chegando lá liguei para a Doula que contratrei
e ela foi pra lá... Estava com apenas 2 cm de
dilatação e as contrações começavam
a ficar cada vez mais fortes e mais freqüentes... Estava calma,
liguei para minha mãe e avisei que já estava na maternidade
ela disse que assim que desse ela iria pra lá. Andava pelo
hospital inteiro e quando vinha a contração eu agachava
(cocóras) e recebia massagem da Doula ou de meu marido na
região da lombar (isso ajuda muiiiiiiiiiito) Minha mãe
chegou junto com minha irmã, que acabou ficando também.
Sentei naquela bola que também alivia a dor. Depois que as
dores ficaram fortes demais perdi totalmente a noção
de tempo e só sei que quando entrei na banheira para aliviar
a dor, a bolsa estourou e as dores foram totalmente infernais...e
não pude mais aguentar.. pedi analgesia, queria tentar antes
de apelar para a anestesia, mas foi como ter tomado água
com açúcar, nada resolveu e gritei desesperada por
anestesia..
Tive a infelicidade de pegar um anestesista terrível, além
de chato ele não estava preparado para um parto do jeito
que eu queria, estava p. da vida por ter que aplicar anestesia num
quarto e que aquilo era para ser feito num centro cirúrgico,
deixou cair a agulha no chão, demorou a beça para
aplicar a anestesia e me deixou um tempão naquela posição
terrível para quem está com um barrigão enorme.
Depois de muito tempo que não sei precisar quanto, mas que
para mim foi uma eternidade. Enfim, ele aplicou, mas não
sei se exagerou na dose, se fez algo errado ou se eu é que
sou sensível a anestesia, só sei que minha pressão
caiu pra 3 por 5, comecei a ter ânsia de vomito e não
conseguia respirar, além disso fiquei totalmente amortecida
do peito para baixo, só mexia os braços. Cheguei a
pensar que morreria. Sei lá o que fizeram, aplicaram plasil
e mais alguns medicamentos, oxigênio no nariz e minha pressão
foi voltando ao normal.
Depois de tudo controlado a doula teve que ir embora pois outro
parto estava se iniciando e ela teve que correr pra lá e
mandou outra Doula para ficar comigo a partir daí. Antes
de ir ela me disse: "agora vai ser rapidinho, vc já
está toda dilatada e dentro de 1h no máximo vc vai
estar com seu bebê no colo" Chegou a outra doula e
eu estava tranquila.
Já estava com 10 cm de dilatação e meu médico
dizia que era chegada a hora de fazer força... Muito fácil
vc ter que fazer força sem sentir mais da metade do seu corpo,
além disso estava muito cansada. O anestesista, para ajudar
ficava me enchendo o saco para que eu mantesse o oxigênio
no nariz e aquele "pregador" no dedo que fica controlando
os batimentos cardíacos.
Eu tinha que segurar na barra para fazer força e aquela
porcaria me atrapalhava, além de não conseguir respirar
direito com aquele oxigênio gelado no nariz, minha garganta
já tava doendo e tava me incomodando muito. Mas enfim, fiz
muita força e o bebê ameaçava sair mais voltava,
todos diziam que viam o cabelinho dele, mas nada dele sair, e mais
força...e foi assim por um bom tempo... até que meu
médico percebeu que o bebê tinha virado e estava com
o rosto pra cima... com isso o meu coccis impedia que a cabeça
dele saisse.. O certo é o bebê estar com o rosto virado
para o bumbum da mãe. Então tinha 2 opções:
cesárea (que poderia ser tarde demais pois estava num quarto
e não numa sala de cirurgia) ou fórceps de alívio..
Meu médico optou pela 2ª e teve que fazer a episiotomia...
meu filho nasceu com 3,730kg 13 horas depois de iniciado trabalho
de parto numa virada de lua crescente para cheia...
Embora tenha nascido grande ele não respirou nem chorou
logo que saiu e estava todo roxinho, teve que ser entubado e levado
as pressas para a UTI, colcocaram ele por segundos no peito para
que eu pudesse ver a carinha dele antes. Como estava anestesiada
não puder vê-lo em seguida e até que pudesse
ir até lá, chorei compulsivamente pensando que estavam
mentindo pra mim... Concluindo: ele estava ótimo, mas teve
que ficar em observação alguns dias, 2 na UTI e 3
nos Cuidados Intermediários. Segundo o pediatra que é
amigo da minha família e o meu médico, o hospital
prendeu ele lá todo esse tempo por puro exagero e precaução
o que é normal para os padrões do Einstein que é
considerado uns dos melhores hospitais do mundo. Fomos para casa
no dia 11/03 e hoje ele está com 7 meses pesa 10kg e tem
73 cm de altura (compatível com a média de bebês
de 1 ano). É saudável e perfeito. Já levanta
sozinho, engatinha e segundo meu pediatra ele tem atitudes e desenvolvimento
motor de bebês de 10 meses.. Graças a Deus!!!!
O que eu penso disso tudo. Continuo achando oparto natural a forma
mais correta e maravilhosa de. parir, porém, como sempre
eu não acreditei em mim, não acreditei na minha capacidade
de aguentara dor, não resisti e acabei pedindo anestesia.
Tenho a certeza e a convicção que se eu não
tivesse pedido a anestesia e tivesse aguentado ele, mesmo na posição
difícil que ele estava, teria saido muito mais fácil,
acho que a anestsia cabouafetandoo bebê, além de me
deixar totalmente imobilizada de forma que não pude ajudar
como queria acocorando, andando,etc.... Aprendi uma coisa depois
conversando com a minha Doula, quando vc opta por uma intervenção,
vc acaba levando o pacote completo.
Optei pela anestesia, acabei levando de brinde uma episiotomia
e o uso do forceps além de ter que ficar na pior posição
do mundo para parir (deitada) contrariando a lei da gravidade. Além
disso é possível que a anestesia tenha feito com que
a força que eu fazia não fosse suficiente, afinal
80% do meu corpo estava completamente morto. Enfim, a posição
que ele tava fez com que as coisas acontecessem dessa forma. Nós
mulheres precisamos começar a acreditar mais na nossa capacidade
de parir sozinhas sem intervenções médicas,
afinal a natureza é Divina. Se eu faria outro parto normal???
Sim, e desta vez será totalmente natural. Com tudo isso eu
tive uma excelente assistência do Dr. C. (meu obstetra
maravilhoso) da Doula (maravilhosa!!) e claro da minha
família (meu marido, minha mãe e minha irmã)
que estavam presentes o tempo todo e foram maravilhosos comigo.
Minha recuperação foi excelente, apesar da episiotomia
que incomodou muito e por muito tempo.
Acreditem em vcs, meninas.
beijos
Adriana
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