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É com muito prazer que coloco aqui meu relato
de parto.
Plagiando aquele comercial: "É impossível chegar
lá sozinho...", antes de mais nada, gostaria de agradecer
a todas as pessoas que me ajudaram nessa conquista.
Ao dr. JK, pelo seu apoio durante todo meu
pré-natal, por sua sinceridade e franqueza, e por ter acreditado
desde o início de que eu teria meu parto domiciliar.
À Vilma Nishi, pela sua firmeza e pelas broncas, pois também
precisamos disso para chegar lá.
À minha doula, pela imensa doçura. Seus olhos de gelo
enganam, pois ardem de ternura.
E a todas as amigas da lista. Graças a seus relatos de experiências
boas e ruins, eu pude formar minha opinião nestes últimos
7 meses. Desde o início desejava um parto normal, mas com
vocês, fui ganhando coragem para ir mais além: de chegar
a um parto natural, ativo, domiciliar, sem intervenções.
Dia 24/01/05
Final de gravidez. Sentia-me, cada dia, mais e mais cansada.Chegava
me arrastando nas consultas com a Vilma.
Além disso, eu estava praticamente sozinha com a idéia
de parto domiciliar. O Sérgio tinha boicotado de todas as
maneiras possíveis, em nome da segurança da bebê.
Para reforçar o batalhão de choque, ele contou para
a família dele inteira. No Natal do ano passado, foi um massacre
das primas e tias. Eu tive que mentir dizendo que meu parto ia ser
no Santa Joana, pois não agüentava mais as piadinhas
e a chateação.
A Vilma foi muito franca comigo: "Juty, você me assusta
com esse cansaço. Se eu sentir que você não
vai agüentar o parto, você vai para o hospital."
"Hospital, não!", eu implorava. "Olha já
estou boa". E eu me aprumava e tirava a expressão de
cansada da cara.
O Sérgio, até então, se recusava a acompanhar
meu parto, caso fosse domiciliar, o que a Vilma achava uma pena.
Nesse dia, eles fizeram um pacto. O Sérgio iria acompanhar
meu parto, mas caso a Vilma perceba alguma coisa fora do comum,
eu iria para o hospital.
Dia 25/01/05 - Feriado da Cidade de São Paulo.
Eram 6:45hs da manhã. O dia que completava 39 semanas de
gestação. Mais uma noite mal-dormida. Estava acordada,
quando algo quente começou a escorrer pelas minhas pernas.
Pulei da cama e chamei o Sérgio. Ele se levantou e me encontrou
ajoelhada no chão, no meio de uma poça de líquido
amniótico com um pouco de sangue.
Eu fiquei surpresa. Apesar de estar a termo, a bebê adiantou
1 semana da DPP.Por mais que tivesse me preparado, demorou para
"cair a ficha" de que hoje seria o grande dia P. Ligamos
para a Vilma e em seguida para a minha doula. Elas vieram lá
pelas 9:00hs. A Vilma fez o primeiro toque e mediu os batimentos
cardíacos da bebê. Ela estava bem e eu com 1 cm de
dilatação. Iria demorar bastante. A bebê poderia
chegar de madrugada.
Chamei minha irmã Bety que queria muito acompanhar o parto.
Disse que a bolsa havia estourado e que iríamos fazer o pré-parto
em casa. A Bety pediu para que eu chamasse a Kety também
(minha outra irmã). Até então elas não
sabiam que iria ser parto domiciliar.
E eu estava preocupada de chamá-las, pois durante toda
minha gravidez elas foram contra essa idéia. Minhas irmãs
chegaram em casa e eu, junto com a dupla dinâmica (Vilma e
a minha doula), confirmamos que iria ser um parto domiciliar. Foi minha
segunda surpresa do dia, pois minhas irmãs não surtaram.
Ficaram todo o tempo do meu lado, apoiando o meu parto. Ambas filmaram
e fotografaram todos os momentos desse evento, que foi um dos mais
emocionantes de nossas vidas.
Como o parto iria demorar, resolvemos sair para almoçar.
Sentia umas contrações bem espaçadas. A Vilma
e a minha doula foram embora para voltar mais tarde.
Chegamos ao restaurante quase 1 da tarde. Lá comecei a sentir
as primeiras contrações regulares de cinco em cinco
minutos. Comi uma salada bem levinha. Vinha uma contração,
levantava e me inclinava um pouco para frente, segurando na mesa.
O povo no restaurante me olhava espantado. A gente ria e dizia para
a garçonete: "Calma, o trabalho de parto só está
começando!"
Do restaurante, minhas irmãs foram embora, eu e o Sérgio
voltamos para casa.
Chamei mais uma amiga minha, a Cristina, muito querida, e uma das
poucas que sabiam e apoiavam meu parto domiciliar.
A Cristina tem um filho, que veio ao mundo por cesárea. Minha
experiência de parto foi muito marcante para ela. Eu torço
que ela tenha um VBAC domiciliar em seu próximo filho.
A minha doula chegou às 3 da tarde, em seguida chegou a Cristina.
Ainda conversamos amenidades. Um pouco depois das 5hs começou
meu trabalho de parto. Comecei a me concentrar nas contrações.
Já não conseguia mais sentar. As contrações
pareciam triplicar de intensidade quando sentava. Entre uma contração
e outra, ficava de pé e rebolava um pouco. Coloquei um CD
de música indiana para relaxar. Durante as contrações,
eu me apoiava no pescoço da doula que fazia massagens
nas minhas costas. As contrações lembravam cólicas
e passavam mais rápido com as massagens.
A Vilma chegou lá pelas 6 da tarde. Fizemos uns exercícios
para soltar a pelve; rolei na bola suíça. Mediu os
batimentos cardíacos da bebê, que estavam ótimos.
Ela me fez massagem com óleos aromáticos e fez o segundo
toque: 5 cm. Dali para frente, como disse a doula, ia ser ladeira
abaixo. A dilatação iria progredir muito rápido.
Lá pelas 7 da noite, senti as contrações mais
fortes e resolvemos ir para a banheira. Santa água quente!!
Funciona mesmo. No início, a doula jogava água
quente nas minhas costas. À medida que as contrações
aumentavam, ela passou a molhar uma toalha na água quente
e deixar como compressa nas minhas costas. Minha concentração
nas contrações passou a ser total. À medida
que o trabalho progredia, meus gritos iam aumentando de intensidade.
A doula olhava para mim e dizia: "agora você está
com cara de 7 cm de dilatação."
A Cristina, disse que no início, meus gritos pareciam suspirados,
como se eu estivesse gozando. Depois que se tornaram mais intensos,
a Bety disse que toda vez que eu gritava, o Sérgio ficava
pálido na sala. Outra irmã que ficou impressionada
com os gritos foi a Kety. O Sérgio, que é dentista,
não se conformava: "Puxa, eu sou pago para remover a
dor. Não consigo imaginar como alguém pode querer
senti-la".
Sobre a dor, preciso explicar uma coisa: impressiona mais quem
está do lado de fora. Eu que a estava sentindo, não
era tudo aquilo não, isto é, a dor não era
proporcional à intensidade do berro. O grito ajudava a dar
vazão à pressão que eu sentia dentro de mim.
Como no karatê. E a doula tinha o cuidado de fechar a porta
do banheiro para que meus gritos não incomodassem meu vizinho
de apartamento. Esse pequeno detalhe me deixou mais à vontade
e soltei o gogó mesmo. No pós-parto, tive que me recuperar
também da garganta rouca.
Assim que a contração passava, e o trabalho da doula
ajudava a fazê-la passar mais rápido, eu não
sentia nada. Eu sabia que tinha uns dois minutos de descanso e ficava
relaxando na banheira, boiando de costas ou de bruços. Boiar
era realmente agradável. Permitia-me relaxar todos os músculos
e prepará-los para a próxima contração.
Quando a contração vinha eu já me preparava,
ficando inclinada para frente, de joelhos ou de quatro. Lá
pelas 9 da noite, a Vilma veio fazer o terceiro e o último
exame de toque. Ela disse: "Só para te animar, Juty,
você está com 9cm de dilatação".
Pelos batimentos cardíacos, a bebê também estava
bem. Foi só a partir dos 9cm de dilatação que
comecei a sentir umas contrações mais fortes. E foi
nesse momento na banheira que eu pensei com meus botões:
"Agora sei porque as mulheres têm medo do parto".
Comecei a avaliar se teria valido a pena fazer uma cesárea
ou sentir a dor que eu estava sentindo naquele momento.
Esse momento de transição é muito delicado
e meus gritos atraíram a curiosidade das pessoas na sala.
Começou um entra e sai no banheiro. Eram minhas irmãs
que entravam para filmar, o Sérgio que vinha espiar, a Cristina
para dar seu apoio moral, fora a Vilma que tinha que entrar para
fazer o acompanhamento.
Aquilo tudo me irritou. A curiosidade dos meus convidados, o banheiro
que era apertado. A doula ainda fechava a porta quando eu gritava,
deixando o banheiro mais quente e abafado. Toquei todo mundo para
fora. Infelizmente a Vilma foi expulsa junta no rolo, o que não
era minha intenção. No dia, ela ficou muito chateada
comigo, pedi desculpas. Olho para trás e morro de rir. Consegui
tocar a parteira para fora do meu parto, imagina!
Hoje eu percebo que era muito importante a concentração
para me defender da dor. E cada distração era um momento
precioso de descanso perdido, que eu tinha entre uma contração
e a outra.
A doula percebeu minha irritação. Desligou as
luzes do banheiro e acendeu umas velas aromáticas que eu
tinha na bancada da pia.
Consegui recuperar minha concentração. No escuro,
à luz de velas, repetia para a minha doula como se fosse um
mantra: contração, contração. (Quando
vinha a contração). Água quente, mais água
quente (quando a água esfriava e queria mais água
quente nas costas). Ar, ar (quando parava de gritar, queria mais
ar fresco e para a minha doula abrir a porta do banheiro).
Não conseguia mais falar frases completas. Apenas uma ou
duas palavras que eu repetia diversas vezes como em transe. Foi
assim, de contração em contração que
eu superei esse momento crítico de dilatação
e consegui dominar a dor, ou seja, voltei a ter o controle e ela
se tornou suportável. Em nenhum momento passou pela minha
cabeça precisar de anestesia. Cesárea?? Faz me rir.
A doula disse que se eu sentisse uma vontade de fazer xixi ou
cocô era para fazer força. Comecei a sentir essa vontade.
Era a fase do expulsivo. A Vilma havia voltado ao banheiro e amarrou
uma toalha na janela, acima da banheira. A toalha foi de grande
ajuda. Como nos filmes antigos, eu a agarrava com os dois braços
e fazia força. Mordia a toalha também.
E continuava a recitar meus mantras: expulsivo, expulsivo (tentando
dizer para a minha doula que eu estava entrando no expulsivo), dói,
dói (agora a cada contração, sentia uma ardência
redonda no canal vaginal), cír culo de fogo, círculo
de fogo (sentia o próprio). Nesta fase, a bebê já
estava coroando debaixo d'água. A Vilma colocou um espelhinho
dentro da banheira para acompanhar a descida da bebê. Perguntaram
umas 3 vezes se eu queria passar a mão na cabecinha dela.
Na hora nem me lembrava que tinha colocado esse de sejo em meu plano
de parto. Eu tinha medo de que qualquer movimento diferente fizesse
a dor sair de meu controle.
Elas colocaram minha mão para acariciar a cabecinha dela.
Foi uma sensação inesquecível sentir seu cabelinho.
São essas pequenas coisas que tornam meu amor pela minha
filha mais profundo.
Elas perguntaram para mim: "Juty, quer ir para a cama? "
e eu só dizendo minhas frases curtinhas: não, não,
aqui tá bom, banheira bom. (tentando dizer que na banheira
estava ótimo, que minha dor estava sob controle e eu morria
de medo de sair de lá e doer mais do lado de fora, no seco).
Vendo que eu não saía de jeito nenhum, elas pegaram
um pote inteiro de sal na cozinha e jogaram dentro da banheira prevendo
que a bebê fosse nascer dentro d'água. Eu estava de
cócoras e agora, a cada contração, eu fazia
força para empurrar a bebê para fora. Mas a contração
passava, eu fechava as pernas e a bebê voltava.
A Vilma mandou que eu ficasse de pé. Também foi uma
luta, pois não queria sair da água quente de jeito
nenhum.
A doula me ajudou a levantar da banheira e nada da bebê
descer. Então a Vilma teve que ser enérgica: "Juty,
você precisa sair da banheira, essa posição
não está ajudando!".
Tive que superar meu medo de sair da banheira. A doula me segurou
por trás, na posição de cócoras sustentada.
A Vilma me ajudou a soltar a pelve, pois estava com o corpo todo
contraído. Lembro que a Vilma me disse para não fazer
tanta força, para ir controlando a expulsão. Mas veio
mais uma contração, quem é que consegue segurar?
Só pensei uma coisa: "Dane-se, que rasgue!". Empurrei
com toda força para baixo e blop, a bebê nasceu.
Eram quase 11 da noite. Mal pude acreditar quando ouvi o chorinho.
Olhei para baixo e uma coisinha rosa ligada num cordão umbilical
grosso, todo azul e retorcido. Nasceu Ana Laura, com 3,200Kg, 50cm,
Apgar 9/10, 1 circular de cordão, apresentação
cefálica, anterior. Desceu feito um quiabo, parto natural
de mãe com idade acima de 35 anos, primípara, bolsa
rota há 16 horas e só 5cm de dilatação
em 12 horas. Até então, uns 5 motivos para cesárea.
Tudo foi muito intenso: o nascimento de minha filha, um parto pleno
e a emoção de ter conseguido chegar lá
Então comecei a tremer. no primeiro momento, não consegui
segurar a bebê, pois meus braços não respondiam.
"Segurem para mim", eu pedi.
Chorei quando peguei a bebê nos braços. O Sérgio
veio cortar o cordão umbilical. Depois disso, a bebê
foi para os braços dele e das tias que estavam ansiosas para
conhecê-la.
A Vilma e a doula ficaram comigo para fazer o parto da placenta.
Eu tremia toda e meu corpo não queria obedecer.
A Vilma me incentivou: "Juty, você já fez o mais
difícil, agora você precisa fazer força mais
um pouco. A placenta não pode ficar aí dentro".
Dali a pouco, fiz um pouco mais de força, e blop, sai a placenta.
Uma coisa grande, parecida com um fígado de boi, com o resto
do cordão umbilical.
Mais tarde meus pais levariam a placenta para o sítio, para
enterrar no jardim.
Eu tive uma laceração de primeiro grau. Como estava
muito sensível, a Vilma resolveu deixar a sutura para o dia
seguinte.
Após o parto, a Vilma foi pesar e medir a bebê.
Eu fiquei deitada no chão do banheiro, tremendo da cabeça
aos pés e chorando sem parar. Nesse momento, que a tensão
passou, meu corpo parecia em curto-circuito. Parece que ligaram
todos os botões de minhas emoções em volume
máximo. Não chorava de dor nem de tristeza. Era de
alegria.
A doula ficou segurando minha mão. Ela apagou novamente
as luzes do banheiro para que eu pudesse relaxar.
Eu disse para ela: "Ah, A., é maravilhoso...".
Ela me respondeu: "É, e ainda sou paga para assistir".
Realmente, A., você é afortunada em trabalhar
como doula.
Minhas irmãs ficaram encantadas com a bebê. Até
hoje, o que impressiona as pessoas, quando a gente conta, é
que ela nasceu já com os olhões abertos, sem aquela
cara de joelho, típica de recém-nascido. Ficava olhando
tudo e a todos, quietinha, com a lingüinha de fora, louca para
mamar.
Trouxeram a bebê novamente para meu colo e ela começou
a mamar furiosamente. Eu fiquei impressionada com sua força
de sucção. Não sabia ainda colocar na pega
correta e ela quase levou o bico de meu seio embora.
Mais tarde, elas me levaram para deitar na cama. Vesti o fraldão
pós-parto e a bebê veio no meu colo de novo para mamar.
Minhas irmãs avisaram meus pais, que mal podiam acreditar.
Minha mãe não entendeu nada: "Como havia nascido
se havíamos saído no mesmo dia para almoçar?
Em que hospital foi? Como, parto em casa?!!" Meus pais vieram
logo após a meia-noite. Emocionados, vieram pegar a bebê
no colo. Foi uma reunião familiar muito especial.
Eu estava com tanta adrenalina que fui dormir lá pelas 2
da manhã. Acordei às 4 da manhã com a bebê
chorando. Ela estava num bercinho improvisado do lado da cama. Peguei-a
no colo para amamentar. Assim que ela dormiu, fiquei sentada na
cama estupefata. Eu não sentia mais nada. Nem dor, nem cansaço.
Não sentia nem a laceração Sequer conseguia
me lembrar da dor do parto. Dizem que as endorfinas têm esse
efeito de amnésia.
Liguei de manhã cedo para o escritório entusiasmada
dizendo que mais tarde eu ia passar lá. Ainda na parte da
manhã, a Vilma veio me ver. Foi quando eu levantei da cama
pela primeira vez, para ir tomar banho e senti imediatamente os
efeitos da descompessão pós-parto. Não conseguia
respirar se ficasse ereta. Era como se faltasse alguma coisa. Tomei
banho curvada em L. Só aos poucos, fui levantando e conseguindo
respirar.
A Vilma fez uma sutura de uns 2 cm na laceração,
veio dar o primeiro banho na bebê juntamente com o Sérgio
e me recomendou um resguardo de pelo menos 10 dias. Eu não
entendia porquê? Mais tarde, a Vilma foi embora e o Sérgio
precisou sair, eu ainda me levantei, fui fazer uma faxina em casa,
lavei louça, limpei o banheiro que ainda tinha cheiro de
sangue. Coloquei trouxas de toalhas e panos de chão sujos
na máquina de lavar, estendi a roupa, recebi a pediatra que
veio ver a bebê em casa e.... bateu um cansaço!!! Fui
dormir.
Quando acordei foi como se tivesse tomado uma surra! Senti a fadiga
de toda a musculatura que eu contraí durante o trabalho de
parto: as batatas das pernas que tiveram cãimbras, os braços
que ficaram torcendo a toalha, o desconforto do inchaço.
Aí sim, entendi os 10 dias de resguardo. Tive que desmarcar
todos os compromissos da semana, do mês. Eu que em 14 anos
de firma, nunca havia faltado 1 dia sequer....
A terceira surpresa do dia. O Sérgio passou de namorado
a marido, pois depois do nascimento da Aninha, mudou-se de mala
e cuia para casa. Marido, filha e largar a empresa, tudo ao mesmo
tempo. Enfim, minha vida não seria mais a mesma.
Curtas
A piada que rolava na sala, enquanto esperavam a bebê nascer,
era que ela tinha puxado o narigão do Sérgio. Não
nascia porque o nariz estava entalado.
Depois do parto, a Vilma pediu gelo para colocar em cima do inchaço
que ficaram minhas partes mimosas. Eu não tinha gelo em casa.
Minha irmã bateu na porta do vizinho do apartamento (o mesmo
que eu tinha medo que ouvisse meus gritos). Ele abriu a porta, estava
a maior festança, e ele disse: "Eu sei, eu sei, o barulho
está incomodando?"
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