|
Dia 21/09 saio no final da tarde com a Sophia para
dar uma volta no quarteirão, estava uma tarde muito gostosa.
Mais ou menos na metade, vejo um morador do prédio ao lado
saindo com roupa de ginástica para fazer esporte e me desperta
uma vontade enorme de sair naquele dia e fazer alguma coisa diferente
bem no meio da semana. Pego o celular e ligo para o Luciano e falo
para ele chegar em casa mais cedo para sairmos nós três
(Eu, ele e a Sophia), tinha um certo desejo de aproveitar aquela
noite de uma maneira diferente, naquela semana na quarta e na quinta
ele chegaria tarde, então o único dia disponível
seria terça e seria o último dia em que sairíamos
como uma família de apenas três.......
Passou a quarta, passou a quinta e eu nada sentia de diferente,
já estava certa de que iria nascer na data prevista ou até
mesmo atrasar. Na noite de quinta fui dormir normalmente e antes
de me deitar reparei que durante todo o dia tinha tido a impressão
de que toda a vez que olhava para a minha barriga ela parecia estar
dura, mas até ai nem dei importância, pois achei que
era devido a proximidade do nascimento.
Dia 24/09, 02:30 da manhã, minha filha acorda chorando e
me faz acordar e lembro que estava sonhando que estava tendo contrações.
Vou até o quarto dela para faze-la dormir novamente e reparo
que estou tendo contrações doloridas com freqüência,
volto para a cama e presto atenção se elas continuam,
pois no meu parto anterior tive as mesmas contrações
durante três dias de madrugada e durante o dia não
tinha nada.
Elas continuam e acabo não conseguindo voltar a dormir,
pois sabia de algum modo que elas não mais parariam e que
a Olívia estava chegando.
Fiquei acordada até por volta de 5:30 sem acordar o Luciano,
achei que ele ficaria aflito e achei melhor deixa-lo dormir e ficar
ali sozinha com meus pensamentos. Com minhas idas constantes ao
banheiro ele acabou acordando e ligamos para o Dr. J. que estava
acompanhando o finalzinho do parto da Ana Paula e me orientou a
entrar em contato com a Andrea para deixa-la de prontidão
enquanto ele não chegasse em São Paulo.
Por volta de 10 horas ela veio até em casa e eu estava com
contrações regulares, mas não ritmadas, 1 cm
de dilatação e colo 70% esvaecido, o próximo
passo era aguardar a evolução. Estava sozinha com
a Sophia, mas já não conseguia dar tanta atenção
para ela, estava meio anestesiada pela dor, então pedi para
que minha mãe viesse até em casa para ficar com ela.
O TP em Casa
Assim foi até 2 da tarde, quando elas começaram a
ficar mais fortes e longas, quase sem intervalo entre elas, por
volta de 3:43 (tenho marcado em um papel) falei com o Dr. J.
novamente que me orientou a marca-las durante uma hora bem como
a duração. Fiz isso durante 15 minutos e liguei para
ele novamente falando que era impossível continuar a marcação,
ele me orientou ir ao Einstein que me encontraria lá. Liguei
para o Luciano (que estava trabalhando) e pedi para ele vir para
casa, ele chegou e quis arrumar a mala dele ainda (briguei tanto
com ele que ele acabou jogando tudo dentro de uma sacola de loja
e fomos.
Nesse período da tarde as dores foram ficando mais fortes,
mas minha concentração era tão grande que de
fato não percebi, estava tão envolvida com as contrações,
com a respiração, agachando a cada uma que precisou
minha mãe falar que elas tinham aumentado para que eu realmente
me desse conta disso. Foi um período difícil, pois
de repente elas aumentaram sem que eu esperasse e eu estava sozinha
em casa só com elas.
Me preocupei tanto durante toda a gravidez com o momento que eu
tivesse que ir para a maternidade e deixar a Sophia, chorava só
de pensar e na hora que esse momento chegou foi totalmente diferente,
aquele momento era tão meu e da Olívia, a dor era
tão presente que simplesmente dei um beijinhos nela falei
que logo ela iria me encontrar e sai pela porta querendo chegar
o mais rápido na maternidade, ela ficou chorando mas o choro
durou 1 minuto e logo ela estava bem, parecia que sabia e entendia
o que estava acontecendo.
O TP na Maternidade
Cheguei lá e na triagem foi um momento ruim, as enfermeiras
queria a todo o custo ver a dilatação e fazer checagem
de pressão e contrações....foi cômico
elas insistindo, achando ruim comigo e eu sentada no vaso fechado
dentro do banheiro falando que ninguém chegaria perto de
mim, nem encostaria um dedo em mim, pois caso contrario apanhariam.
Eu falando que não dava, elas insistindo que só me
liberariam para o quarto se eu deixasse e eu discutindo com elas.
Foi quando O Luciano ligou para o Dr. J. que autorizou a subida
sem as devidas checagens.
Subi para o LDR e a Andrea já estava lá, tomei
uma injeção com Plasil e Buscopan e fui para a banheira
e lá fiquei quase todo o tempo, a parte que mais permaneci
durante o TP foi na água o que ajudou bastante. O Plasil
adiantou, mas o Buscopan NADA ! Mas um tempo chegaram a minha doula
e o Dr. J. (daí para frente não sei mais de horas
e tempo, perdi totalmente a noção).
A partir daí a Ana ficou comigo no banheiro (eu na banheira
direto, vocês não sabem quanta água entrou dentro
do meu ouvido, fiquei surda dois dias). A certa altura estava cansada
de tanta dor, não era a dor em si, mas o cansaço de
sentir dor e pedi algo que ajudasse a conviver com a dor FOI NESSE
MOMENTO QUE FOI FUNDAMENTAL TER AO MEU LADO PESSOAS COMO O DR. JORGE,
A ANA E A ANDRÉA, POIS ELES ESTAVAM EM SINTONIA COMIGO, ACREDITAVAM
EM MIM E DAVAM TODO SUPORTE NECESSÁRIO PARA NÃO UTILIZAR
ANESTESIA , POIS NESSE MOMENTO SE TIVESSE UMA ANESTESIA PASSANDO
POR PERTO EU PEGARIA).
Acabei tomando apenas Dolantina, que aliviou um pouco entre as
contrações, mas quando elas vinham, vinham mesmo fortes.
Me lembro que falei que não tinha adiantado, e me lembro
do Dr. J. falando para eu agüentar e deixar a anestesia
de lado, pois ela teria outros efeitos, apesar de estar em outro
planeta escutei muito bem isso e pensei: está tudo tão
certinho, vou agüentar e não vou colocar nada em risco.
As dores foram piorando, e a Ana me falou que aquele momento era
um dos piores, mas que logo elas mudariam e o expulsivo começaria.
Elas eram muito fortes, dava para ver direitinho a evolução
das contrações, suas mudanças em intensidade,
em localização em tipo de dor que elas provocavam,
pude vivenciar tudo aquilo que lemos nos livros de uma maneira completa
e intensa. Tenho tudo guardado aqui comigo, cada sensação.
De repente as dores foram mudando, e dando lugar para a famosa vontade
de fazer força, era instintivo simplesmente vinha !
O expulsivo tinha começado de fato, as dores e suas fases
é que ditavam cada momento, o que tinha que ser feito, ninguém
a toda hora checando dilatação e me dizendo o que
fazer, era meu corpo sabendo o que fazer sozinho e o mais importante
sendo respeitado. ISSO FOI OUTRO PONTO MARCANTE NO ACOMPANHAMENTO
DA FAMOSA EQUIPE, UM RESPEITO MUITO GRANDE COM O MOMENTO QUE EU
ESTAVA VIVENDO, ENTENDI O QUE QUERIAM DIZER AS PALAVRAS QUE ESCUTEI
DO DR. JORGE NA PRIMEIRA CONSULTA "EU NÃO FAÇO
PARTOS, EU ASSISTO PARTOS".
Lembro-me de ter olhado para trás naquele momento e ter
visto todos ali dentro comigo e uma frase "Estamos aqui"e
o Luciano por ultimo "E eu também".
A cada contração fazia força, nesse inicio
a força e as contrações eram de um jeito, não
sentia nada acontecendo, tinha a impressão de que demoraria
horas até que ela chegasse, mudei de posição,
a bolsa estourou, a agua da banheira que me acompanhou durante todo
o tempo foi embora junto com a da bolsa.
Estava cansada de ficar ali, e resolvi aceitar a sugestão
e ir para a cama. Lá as contrações foram mudando
aos poucos, bem como a força, me senti muito mais forte para
fazer força e comecei a sentir que algo acontecia a cada
força, parecia que a Olívia estava de fato chegando,
podia sentir ela vindo a cada momento e isso me dava cada vez mais
força. Nesse momento não sentia mais dor, apenas muita
pressão, e uma queimação fortíssima,
tudo ardia muito.
A cada contração me erguia e fazia força,
entre elas me reclinava e descansava, até que sem que eu
esperasse, em um delas a Olívia nasceu (eram 21:19), ao fundo
escutava o choro do Luciano e o Dr. J. me pedindo para não
fazer força. Ela saiu e veio imediatamente para meus braços,
toda suja e ficou lá me olhando quietinha como se já
me conhecesse, não chorou nada só comia as mãozinhas,
logo veio a placenta que fiz questão de conhecer e olhar.
O Luciano acabou não querendo cortar o cordão e pensei
que não perderia aquela oportunidade por nada e cortei eu
mesma. Fiquei toda melada, não tinha um cantinho do meu colo
que tivesse ficado limpo, foi a sujeira mais maravilhosa de minha
vida
Fiquei com ela um tempão nos meus braços, vivendo
tudo aquilo que não tinha tido oportunidade de viver com
a Sophia, usufruindo de cada segundo, nada passava pela minha cabeça
naquele momento, o tempo tinha parado. Tudo tinha sido como eu havia
imaginado, tudo aconteceu da melhor maneira possível, foi
um parto tranqüilo, lindo, esperado, sonhado nos mínimos
detalhes. Alguém acima de todos nós estava lá
e coordenou para que tudo acontecesse no momento certo, da maneira
certa.
A Olívia é muito fofa, extremamente calma e doce,
reflete nela esse momento tão mágico que foi seu nascimento.
Olho para ela e me lembro de tudo a cada momento.
Agradeço muito ao Dr. J., minha doula e Andrea, por
terem me possibilitado viver o momento mais intenso e doce da minha
vida da minha vida, por terem cruzado meu caminho e entrado em nossas
vidas. Eles foram de fundamental importância para que eu pudesse
ter vivido esse momento da maneira que vivi e para que eu pudesse
fechar o livro do nascimento da Sophia que tinha permanecido aberto
desde seu nascimento com a cesárea que me foi imposta sem
direito de defesa e que tanto me incomodava e me fazia sofrer.
A., lembro-me do dia em que em um email, em meio as minhas
duvidas e buscas por médicos que eu te falei que buscava
inspiração do meu anjo da guarda e você me respondeu
que você era meu anjo da guarda e que eu deveria conhecer
o Dr. J..
Dr. J., desde o momento em que pisei no seu consultório
pela primeira vez, percebi que minhas buscas por um novo médico
para acompanhar minha gravidez e parto tinham terminado.
Para vocês que já leram demais até agora, ficam
duas mensagens:
As que estão com médicos em que não confiam
plenamente, qualquer que seja o motivo, não tenham medo de
mudar. A simples existência de uma vontade de mudar já
é suficiente para motivar a busca por outra pessoa. Deixei
uma médica de 14 anos e do parto da minha primeira filha
aos quatro meses de gravidez.
Não tenham medo da dor do parto, ela é perfeitamente
suportável se encarada como um acontecimento de cada vez,
ou seja, esqueçam a dor que já passou e não
pensem na próxima. Vale muito a pena sentir essa dor, ela
é maravilhosa !!!
Beijos,
Li - Mãe da Sophia 2 anos e 1 mês (nascida de cesárea
em 08/08/2002) e da Oliva (Pituca) 10 dias Parto natural em 24/09/2004
Voltar
para Lista de Relatos
|