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por Ana Cristina Duarte
 
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Relatos de Parto
Nome: Isa Mascheretti

 

Em 2002 nasceu Gianluca, meu primeiro filho, com 37 semanas, de cesárea. Ele nasceu pequeno, teve icterícia e desconforto respiratório, incidências comuns para quem nasce com 37 semanas sem necessidade. Levou 10 horas para que eu pudesse vê-lo. Passamos um stress na ocasião: oxigênio ao nascer, estimulação para sair o mecônio, dias de banhos de sol e exames de sangue. Ele é saudável e perfeito.

Em 2005 eu e o Beto, meu marido, decidimos ter outro filho. O Beto já tinha 2 meninos do primeiro casamento. Com o nosso filho, eram 3 meninos. Ele queria muito ter uma menina (e eu também). Então pesquisamos sobre como conseguir isso de forma natural (sem recorrer à inseminação ou algo assim). Fizemos tudo o que falavam e em junho descobri a gravidez. Com 8 semanas fomos fazer o exame de "sexagem fetal", e... eu estava esperando nossa menininha, cujo nome tínhamos escolhido desde os tempos de namoro: Camilla.

Diante do ocorrido com o Gianluca, minha prioridade era que a Camilla nascesse no seu tempo, sua hora, e não na hora marcada por um médico. Através da Internet, descobri o Dr. Marcos, os grupos e listas, e com as informações que adquiri, fiquei segura quanto à possibilidade de um parto normal após uma cesárea. E foi também dessa forma que soube que minha cesárea anterior havia sido desnecessária.

Meu pré-natal foi maravilhoso. Engordei menos de 8 quilos, pratiquei atividade física todo o tempo e todos os exames foram normais. Excluindo um episódio, que não passou de uma sugestão (e um susto) - Insersão Velamentosa do Cordão - diagnóstico que foi em seguida descartado; tudo correu de forma perfeita.

Desde as 20 semanas de gestação, eu tinha contrações. Muito esporádicas, mas diárias.

Dia 24/2/06, sexta-feira véspera de Carnaval, fui à academia pela manhã. Como de costume, fiz uma série de musculação e a natação. Me sentia ótima. Nesse dia, com 39 semanas e 2 dias de gestação, por volta das 18hs, notei que as contrações de uma hora pra outra aumentaram, começaram a ficar seguidas e próximas, mas não ritmadas, e muito pouco dolorosas. Saí pra jantar com o Beto. Já no restaurante, pensei: "O que estou fazendo aqui?" - porque eram pouco dolorosas, mas não indolores. E quando vinham... eu tinha que parar tudo o que estava fazendo.

Não demoramos pra voltar pra casa. O Beto foi dormir. Eu fui pra sala. Comecei a anotar a duração e os intervalos das contrações. Eles nunca ficaram regulares. Passei a madrugada tentando, em vão, relaxar. Às 6hs da manhã de sábado, fui ao banheiro e... a bolsa rompeu. O líquido que eu perdia era claro, com pequenos grumos, semelhante à água de côco, e escorria sem parar. Esperei mais meia hora e chamei o Beto. Expliquei pra ele o que estava acontecendo. Ele demorou pra acreditar. Tomamos banho e liguei para o Dr. Marcos, que me mandou ir para a maternidade sem pressa.

Chegamos no Einstein às 8hs. Na triagem, fui examinada e me disseram ter 1 dedo de dilatação. Ah, que decepção. Sabia que nem tinha começado. Ligaram para o Dr. Marcos passando as informações, inclusive a de que a não havia LDR disponível. LDR - Labor Delivery Room - é um apartamento onde se fica durante todo o trabalho de parto, o parto, e os dias de internação.

Dr. Marcos logo estava lá me dando todo apoio e batalhando pelo nosso LDR. Ele constatou que praticamente não havia dilatação. E o colo pouco trabalhado (acho que era isso). Era sinal que ia demorar bastante. Ficamos na sala de pré-parto. Chegaram também minha mãe e minha irmã Fernanda. As contrações já estavam bastante dolorosas (mal sabia que ainda iam piorar muito), e quando vinham eu não conseguia me conter e gemia. O Beto me aplicava uma massagem nas costas na hora das contrações, conforme Dr. Marcos tinha mostrado. Isso melhorava um bocado. Mas mesmo assim a dor já beirava o insuportável. Já? Devo dizer que não sou fraca não. Mas a dor era brava. Tinha planejado não tomar anestesia. Tenho aflição de ter um objeto estranho encravado nas costas, e detesto a sensação de dormência, haja vista que sempre tratei os dentes sem anestesia. Assim, nem pensava na possibilidade. Iria agüentar. Trouxeram o almoço e, com ele, uma ótima notícia: tinham nos conseguido um LDR! Almocei e subimos.

O LDR é bárbaro. Um quarto grande, com muita claridade; um banheiro enorme, com banheira de hidromassagem. Fica num corredor cheio de janelas. Lá tem tudo para o parto e para o bebê. Caminhei bastante pelo corredor, me debruçando no corrimão durante as contrações. Rebolei, fiquei de cócoras, fazia de tudo! Tomei um longo banho de chuveiro, pra ver se agüentava melhor. Dilatação de 3 dedos.

Dr. Marcos sempre monitorando o bebê e as contrações, que não eram regulares. Fernanda ficou sendo minha doula, me sugerindo movimentos, posições, pensamentos, respirações. À tarde a dor já era insuportável. Comecei a achar que não ia agüentar. Minha mãe não se conformava, não sei se com a dor, ou com a demora. O Beto estava o tempo todo ao meu lado, e me apoiou em tudo. No final da tarde, eu estava exausta. Não havia dormido à noite e vinha tendo contrações há 24hs. Isso não estava nada bom. Eu tinha uma tremedeira, me sentia fraca... Tinha medo de não conseguir chegar bem no final. Não estava mais curtindo, estava zonza. Às vezes tudo parecia um filme, um sonho, tudo embaçado, as vozes distantes... Foi quando decidi pedir pra chamar o anestesista.

Dr. Marcos ligou para o Dr. Rodrigo e eu fui pra banheira esperar por ele. A água quente da banheira geralmente dá uma aliviada. Mas pra mim, que estava pra lá do limite de insuportável, pouca diferença fez. Era bom fora das contrações. Relaxava. Mas quando elas vinham, não tenho nada que possa descrever. Saí da banheira quando chegou o Dr. Rodrigo, às 20hs. Ele foi bárbaro, não só porque tirou minha dor, mas por ter sido muito delicado e paciente, sabendo do meu horror à anestesia.

Daí em diante me sentia outra pessoa. E então aceitei também a ocitocina, ainda que em "doses homeopáticas". Por volta das 22hs a dilatação era de 7cm. Dr. Marcos chamou então a Dra. Karla (uma doçura de mulher), assistente dele. Cheguei a 8cm. E assim ficamos, por mais algumas horas, sem progredir... A cabecinha não encaixava. Aumentava a ocitocina, mais anestesia, e não saí disso. Cócoras, cócoras... E nada. Ainda rebolei, agachei, e nada. A anestesia, pela terceira vez, ia perdendo o efeito. Dr. Marcos, um poço de paciência, mantinha e esperança. E esperamos, esperamos... Eu já não agüentava mais. Minha mãe estava "biruta" de eu ainda estar ali, tentando.

Por volta das 2hs da manhã do domingo (portanto, 39 semanas e 4 dias!), decidimos ir para o Centro Cirúrgico. Eu sentia nisso uma mistura de fracasso com alívio. Não posso negar meu desejo pelo parto normal, mas acredito que tudo tem seu limite. E pra mim, ele tinha chegado. Então, descemos para o Centro Cirúrgico.

Chegando lá, vi meu marido cheio de lágrimas nos olhos, orgulhoso por tudo o que havíamos passado, e triste por, depois de tanto esforço, achar que eu estaria decepcionada. Eu já não sentia nada disso. Estava ansiosa e feliz porque a hora tinha chegado. Meu MAIOR desejo era ter minha menininha nos braços na hora certa, perfeita e saudável. E fui atendida.

Dr. Marcos ainda fez um último exame de toque, lá mesmo. Não tinha mudado.

Camilla nasceu às 3:20hs do dia 26/02/2006, de cesárea, após mais de 21 horas de bolsa rota e 33 horas de contrações. Perfeita.

Teve índices de Apgar 8 e 10. Tão logo a cirurgia terminou, ainda sob efeito da anestesia, pude amamentá-la. Ela é linda!

Agradeço a Deus que fez com que tudo corresse bem e me deu 2 filhos maravilhosos.

Agradeço ao meu marido, que sempre me apoiou em tudo e é um homem, marido, companheiro e pai excepcional.

Agradeço à minha família por estar presente em todos os meus momentos, me enchendo de amor e atenção.

Agradeço à equipe do Dr. Marcos - Rodrigo e Karla, pelo profissionalismo, desempenho, e pela segurança que me transmitiram.

E especialmente, agradeço ao Dr. Marcos por ter trazido ao mundo minha filha; pelo respeito aos meus desejos; pela paciência; pela dedicação e amor ao seu trabalho, que fazem dele uma pessoa extraordinária, e um profissional ímpar.

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