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por Ana Cristina Duarte
 
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Relatos de Parto
Priscila Ferri

 

Acho importante dizer que já tinha passado por 3 obstetras antes de chegar até o GAMA (Grupo de apoio a Maternidade Ativa) e conhecer a Dra. Andrea que me acompanhou no Pré-Natal. Acho que antes de começar a frequentar o GAMA e fazer minhas opções, eu já buscava algo que não sabia bem o que era, e por isso fui mudando de médicos, meio até sem saber porque.

Mas logo tudo se esclareceu, eu queria ter um parto "normal", mas queria um acompanhamento diferenciado do que eu via ou ouvia por ai e encontramos! Daí a chegar na decisão de ter a bebê na Casa de Parto também foi um processo de amadurecimento de várias coisas. Mas logo que soubemos da existência das tais "Casas", eu e Daniel nos sentimos atraídos. Mas primeiro fomos conhecer as maternidades e depois de nos depararmos com uma realidade dura e fria, apresentada pelos hospitais, que "vendem perfumaria" ao invés de atendimento, vimos que realmente precisávamos de alternativas.

O parto domiciliar nos agrada, mas acredito que como pais de primeira viagem, isso pesou para não irmos fundo nessa opção, que de qualque forma aprendemos a entender como uma das melhores opções para o nascimento. Daí fomos conhecer a Casa de Parto de Sapopemba num sábado pela manhã, e ficamos apaixonados. A partir deste dia ficou quase que decidido que teriamos a bebê lá. O Lugar é muito legal e aconselho todos a conhecerem, mesmo que não decidam ter bebê lá, vale a pena saber como funciona até para divulgar e entender melhor essa ótima opção. Para os que não sabem as Casas de Parto são do SUS.

Agora vamos aos fatos. Dia 18/06, domingo, final do feriado de Corpus Cristi, pela manhã comecei a sentir algumas dores diferentes e avisei o Daniel que estava com contrações leves. Passei o dia todo assim e à noite o tampão começou a sair. O Daniel insistia para eu ligar para a minha doula que estava comemorando o niver de 40 anos num sitio. achei que podia esperar e só liguei à noite. Contei sobre as contrações, o tampão, etc e ela disse que eu poderia estar em "pródromos" (???) mas que também isso poderia ser um alarme falso e eu entrar em TP só depois de alguns dias. De qualque forma ela foi bem clara em me aconselhar a dormir o máximo que eu conseguisse e tentar relaxar mesmo entre as contrações. Segui a risca os conselhos e naquela noite, mesmo com as contrações mais fortes eu dormi o máximo que consegui, e era incrível como conseguia!!! Os intervalos eram de 10 a 15', mas dava para dormir!

Na segunda pela manhã a coisa tava mais forte, as dores mais intensas e os intervalos menores, tipo 5' em 5', 7' em 7', o tampão saindo mais e mais. daí pra frente, controlar a respiração passou a ser fundamental (inspira, expira pela boca). Já me sentia uma pata choca, andava de um lado pro outro e percebi que ficar deitada era o pior dos mundos!!! As dores eram muito mais fortes deitada!

Liguei de novo pra minha doula e contei a evolução da coisa e ela disse que achava que realmente estava em pródromos e de novo me aconselhou a dormir nos intervalos para poupar minhas energias. também disse que seria melhor o Daniel ficar comigo pois a "coisa" poderia começar a pegar. Tomei um banho bem longo para relaxar, o que ajudava muito!

Eu estava muito tranqüila e disposta a descansar mesmo, afinal o que mais eu poderia fazer. Daí desenvolvi uma técnica de ficar deitada nos intervalos e quando percebia que teria uma contração, levantava para não sentir tanta dor, isso era incrível - levantar rápido c/ aquela barriga!!!! Mas rolava, acreditem!

Na parte da tarde as contrações dimunuiram a frequência e voltaram para 10 em 10' (estranho.). Levantei e fiquei de um lado pro outro dizendo que precisava sair, que o espaço do "AP" estava muito pequeno. queria ir no parque caminhar. Nisso a minha doula ligou de novo e também me aconselhou a sair se eu realmente estivesse disposta. Saímos e fomos caminhar, era engraçado estar no meio do parque de uma lado pra outro, parando de 10 em 10' para me apoiar e sentir as contrações. parecia que todo mundo tava sacando o que se passava e que logo iriam dar um "presta atenção" no Daniel, tipo "meu, sua mulher ta parindo tira ela daqui!!!!"

Mas eu continuava tranqüila, sabia que o bebê estava começando a sair e que eu precisava ter calma e tranqüilidade para que corresse tudo bem. Sempre me concentrava na respiração para buscar um certo alívio.

quando voltamos para casa, c/ a chegada da noite (tipo 18h), a coisa apertou de verdade. Apesar do ritmo se manter igual, a dor ficou mais punk. Comecei procurar uma posição para suportar as contrações e descobri que se ficasse de 4 na cama ou de pé com as costas curvadas e apoiada em algo, ficava bem mais suportável. muito louca essa fase, você parece um bicho procurando uma posição, um lugar, alguma coisa que nem você sabe o que!!!

Voltei pro quarto, quietinha, deitada no escuro e cochilando nos intervalos, mas ficando de 4 nas contrações. Jantei bebi muita água, mas sempre voltava pro escurinho do quarto. Nesse período o Daniel só monitorava o tempo e ficava meio por perto, vendo se tudo estava ok , ainda. a minha doula também tava sendo informada, afinal seria minha doula. Nessas alturas ela já tinha dito que achava que o TP iria engrenar na madrugada.

Mais ou menos às 23h, no meio de uma contração PUNK a bolsa rompeu e saiu um pouco de água. Logo corri pro banho, onde fiquei por quase 1h. Nesse meio tempo o Daniel ligou pra doula que ja disse logo que se abolsa tinha rompido durante uma contração era por que a coisa já devia estar adiantada e que se eu quisesse poderíamos ir para a Casa de Parto e nos encontraríamos lá. Eu preferi que ela viesse em casa, achava que dava pra ficar mais e também tinha receio de ir pra lá e ter que ficar muito tempo ainda , sei lá.

Na verdade eu estava muito tranqüila apesar da dor. De alguma forma, eu sabia que tinha um certo controle da situação e que podia ficar em casa mais tempo, não queria correr o risco de um estranhamento de ambiente e por isso tinha noção que ficar em casa o máximo possível era o melhor a fazer. Depois que a bolsa rompeu, a frequencia das contrações aumentou ( de 3' em 3'), a dor aumentou e começou a sair sangue. Equanto. A doula estava a caminho eu fiquei o tempo todo no chuveiro relaxando. uma benção!!! A doula logo chegou em casa e monitoramos as contrções por mais ou menos 1h e quando decidimos ir para a Casa de Parto já era quase 1h da manhã.

O pior, de todo o TP foi o trajeto de casa até sapopemba, não pelo tempo ou distância, mas pelo desconforto, para mim parecia uma eternidade. As dores eram muito fortes e eu não tinha posição! Tentei várias coisas, a Cris até parou o carro durante uma contração para ver se melhorava. foi bem difícil!!!! Mas chegamos lá por volta da 1h30.

As enfermeiras, Cris e Marlene, nos receberam super bem e fomos verificar o andamento das coisas, como foi horrivel aquele exame de toque!!!! Me senti muito invadida! Mas tudo bem, fiquei também aliviada quando elas disseram que já estava com 7cm de dilatação!!! UAU!!!!! Fiquei super encorajada com a "notícia", mas sabia que estava entrando na fase mais punk do TP - a transição.

Logo fomos para a sala de parto e a minha doula fez massagens, colocou uma musiquinha e as meninas ja começaram a encher a banheira. O Daniel tava sempre do meu lado, super companheiro, segurando minha mão e me tocando quando lhe era possível.

A banheira foi abençoada, fui pra lá, relaxei tanto que dormia de sonhar entre as contrações, dormia meeeesmo, ainda que somente 3 ou 4 minutinhos mas dormia! Foi uma fase muito interessante, eu ali na banheira a minha doula acariciando minha cabeça, o Daniel me dando a mão também me acariciando (ele tirou varias fotos nessa hora! Muito lindas!!!!), as meninas perguntando se queira alguma coisa, um silencio quase absoluto, penumbra. todo mundo me assistindo, de alguma forma "me servindo", tudo dependia de mim! Ali fiquei assim, em transe, por pelo menos 2h relaxando mas também sentindo as contrações (lógico!), até que alguma coisa me disse "Priscilla, você precisa acordar e voltar ao trabalho senão nada vai acontecer." Abri os olhos, me ajeitei e as enfermeiras perguntaram se eu não estava sentindo vontade de fazer força, eu disse que achava que não.

Nisso a minha doula pegou um ponto na minha mão, apertou e foi aumotática a contração com a força. CARACA!!! Foi tão forte que minha vontade era dar um soco na cara da doula (rs.), ai ela disse pro Daniel fazer o mesmo e não funcionou, ela deve ter repetido umas 2 vezes no máximo esse ponto e ai a coisa engrenou com força. A Cris enfermeira fez outro toque e constatou os 10cm e elas me orientaram a começar a achar uma posição para eu ficar para fazer força pro bebê sair.

Ai foi punk pois eu não queria me mover, tentei cócoras mas não rolou. Elas disseram que poderia ficar na banheira mas teriam que completar a água para o bebê nascer ali. NEM FODENDO que eu iria esperar para completar, o bicho tava pegando e tinha que desovar a "jaca entalada", não dava para ser muito romântica naquela hora nem para pensar muito. Como constatou o Daniel, naquele momento eu entrei na partolândia total!!! Sai da banheira e fomos para o quarto, subi na cama, mas juro que queria que alguém me dissesse o que fazer, mas na verdade elas queriam que EU dissesse o que queria fazer. muito louco!!! Eu não queria nada, queria que o bebê nascesse, doía muuuuiiito!!!

Os puxos estavam super fortes e então eu lembrei da posição de 4 que me ajudou em casa e fiz o mesmo ali, e instintivamente levantei uma das pernas abrindo para o lado, aumentando assim a abertura, senti que elas passaram um oleo na região do períneo para evitar a laceração, o que me incomodou muito apesar da boníssima intenção. coisas da partolândia. Gentem, nessa hora eu já não estava mais lá. Sentia os puxos fortes e queria urlar, mas a s meninas pediam para que eu canalizasse a força só lá em baixo sem despediçar com a voz. eu tentava e realmente fazia uma certa diferença, eu sentia uma coisa entalada mesmo que dava um certo desespero, ate numa hora perguntei o que tinha lá em baixo e as meninas: "o que você acha??? É a Valentina!!! Capricha na força que ela tá saindo!" (rs.)

Quando já faltava pouco, o Daniel se aproximou para fazer uma carícia e quando me tocou disse que sentiu um choque e um arrepio, tamanha a energia que eu emanava naquele momento, muito louco isso!!!!

E foi assim, depois de uns 4 puxos bem fortes ela nasceu, às 4h35 do dia 20/06, eu só senti um"glupt" e ela saindo por baixo, toda roxinha e linda!!! Ainda ouvi a Cris enfermeira dizendo que tinha uma circular de cordão, deram uma mexida (que eu senti) e pronto tava ela desenrolada, depois o Daniel me contou que foi uma "manobra" super rápida que a parteira fez.(e há quem diga que circular é impedimento para parto normal que dirá natural!!!!)

Foi cansativo, dolorido mas compensador, logico!!! Ela veio logo pros meus braços mamar e ficou um tempão comigo, o Daniel cortou o cordão depois que parou de pulsar, a placenta nasceu e só bem depois ela foi pra sala ao lado acompanhada do pai para medir pesar, etc. Pesou 3, 265 kg e mediu 50cm., uma meninona!!! A princípio ela era super roxa depois ficou toda iluminada, de verdade! Uma bebê linda!!!

Foi muito legal, tudo!!! Ao final de tudo tivemos, eu, Daniel e a minha doula, direito ao mingau da Marlene para renovar nossas energias, me sentia em casa!!! muito realizada e feliz.

Meu parto foi muito legal, e segundo as "entendidas"- rápido. Sei lá na hora parece uma eternidade depois você pára pra pensar e até consegue achar rápido. Na casa de parto foram 3h (cheguei 1h30 e 4h30 ela nasceu), de fase ativa mesmo ao todo foram umas 6h no máximo, mas contando c/ o pródromos talvez tenha sido umas 24h total. Ou seja, um parto super dentro do protocolo c/ rotura de bolsa já c/ contrações, etc. Meu balanço foi de que tive um parto tranqüilo, s/ nenhuma intervenção ou medicamentos, em nenhum momento pensei que não iria suportar e nem pensei em analgesia, deu pra segurar as dores, apesar de serem realmente fortes. A bebê tava ótima, saudável, chorou muito na primeira noite mas só porque queria ficar comigo. no meu peito. fofa, meu pacotinho!!!!

No pós-parto imediato tive alguns incomodos que também foram normais: uma laceração superficial, levei 3 pontos na pele que cairam em 5 dias; bico do seio machucado que sarou em 7 dias, de resto tudo ok e maravilha! Inclusive a amamentação tá tudo numa ótima, sem a menor crise!

A casa de parto nos acolheu muito bem, como estava sozinha o Daniel pode ficar comigo o tempo todo, só não dormiu. Me deram uma super orientação sobre amamentação, banho, cuidados, etc. Me sentia em casa com comidinha caseira, bolo de banana, chazinhos, torradas na madruga durante o chorinho da pequena, nossa. muito legal!!!!! Fora os papos de comadre com as enfermeiras obstetrizes...Nota 1000!!!!!

Me sinto muito bem pelo parto e muito feliz que tenha dado tudo certo, a cumplicidade do Daniel foi primordial para que tudo corresse bem, não imagino nada disso sem ele por perto. Eu me sinto muito forte e segura sendo mãe e essa força veio c/ o parto natural. o engraçado disso tudo são as mulheres, mães, vindo te perguntar como é essa coisa de parto, como são as dores. c/ uma curiosidade estranha. como se isso fosse naturalmente para poucas e não para a maioria.

que bom que tivemos essa oportunidade: eu, Valentina e Daniel.

Eu preciso agradecer algumas pessoas para que se sintam incluidas na história e saibam o quanto foram importantes e que fizeram diferença.

Pedro e Tati Zoli - obrigada por nos ter indicado o GAMA e por todas as informações e carinho que nos passaram durante os 9 meses. Obrigada a Mel e a Maya por terem nascido assim... de forma tão bonita.

Minha doula - por tudo! Por estar presente no momento mais feliz de nossas vidas como doula, pelas aulas de Yoga, pelos papos, pelo carinho e delicadeza com que nos tratou sempre.

AC - pelos encontros de quinta, tão esclarecedores, tão cheios de energia, por partilhar seu conhecimento e pelo seu ativismo.

Casa de Parto - pelo lindo trabalho que fazem, pelas profissionais que ali trabalham, pelo respeito e amor ao nascimento natural. Obrigada especial para a Marlene e Cris que me ajudaram no parto e que pegaram a Valentina com tanto carinho e respeito.

Dra. A. - pela atenção e respeito que sempre nos dedicou durante o Pré-Natal.

Marcia Koifman - por nos incentivar a conhecer a Casa de Parto.

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