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Um nascimento representa o princípio de tudo - é o milagre do
presente e a esperança no futuro. **** Dia do Parto Chegou
a hora mamãe... Estou pronta para o meu mergulho e estréia
na vida!!! Chegou a hora de finalmente ver aquela que me acolheu, acariciou,
me nutriu e me Amou sem antes me conhecer... Até agora fomos um
só ser, não fazíamos nada sem a outra. Sei que agora irei
fazer a passagem de um mundo para o outro e iremos nos encontrar. Certamente,
viveremos uma linda história de amor... Obrigada Mamãe!
(Meditação by Léa) em 21/04/06. No
dia anterior, acordei me sentindo diferente... Percebi que algo estava para acontecer,
é claro que não sabia exatamente o momento, mas já sentia
uma força e uma alegria imensa tomando conta do meu ser. É como
se estivesse sendo tomada por uma avalanche de prazer. Meu coração
estava repleto de amor, tranqüilidade, paz comigo mesma e acima de tudo uma
grande realização. Assim se inicia o momento mais glorioso
de minha vida... O nascimento de minha filha. Antes de qualquer coisa, vale
mencionar, que já vinha me preparando mentalmente, psicologicamente e fisicamente
para a situação. Às 0:00h do dia 04/06/06, senti um
aviso de que era ali que tudo aquilo que imaginava, sonhava e me preparava estava
para acontecer. Tínhamos acabado de chegar em casa de um jantar
com o filho e nora do André, nos deitamos e ao me mover para o lado, o
tampão caiu e comecei a tremer de emoção, sem perder o rumo
e a calma disse ao André o que estava acontecendo. Fui até o chuveiro
me lavei tremendo involuntariamente e pensando no meu bebê, que é
claro, também estava vivendo a mesma emoção. Nem mesmo o
medo do desconhecido me fez perder o foco principal. Liguei para minha doula
dizendo: é... vida Doula não é fácil. Só queria
avisar que o tampão caiu e que estava tudo bem. Ela me prevenia de que
a partir daquele momento, começaria a sentir as reais contrações. Como
havíamos feito o curso de preparação para o parto, começamos
a cronometrar a freqüência e duração das contrações.
Ao mesmo tempo em que as dores aumentavam, imaginava o que ocorria dentro do meu
útero. Comecei a fazer minhas orações, meditações
e mentalizações para o grande momento. Após duas horas de
contrações mais violentas e freqüentes, resolvemos ligar novamente
para a minha doula. Contamos como estavam o ritmo das dores e ela pedia para observar
para que houvesse uma duração maior entre elas. As dores começaram
a tomar conta do meu corpo fisicamente, mas mentalmente me esforçava para
que não me arrebatasse de forma que perdesse o foco. E assim foi,
passei a noite toda indo para o chuveiro, banheira, cama, chão. Enfim,
comecei a colocar em prática, tudo aquilo que ouvi, li e senti durante
as 41 semanas de gestação. Comecei a praticar diversas posições
de alívio e tentava diminuir o desconforto gigante que sentia. Uma coisa
que me fez lembrar de que já havia sentido algo parecido, foi quando compareci
ao Encontro das mães de "Maio" e a Drª M. sentou-se ao
meu lado e disse: Você irá sentir umas cólicas muito fortes,
mas vai superar... aquilo ficou na minha mente durante várias semanas após
o encontro. Às vezes escutamos algo que no momento parecia sem sentido
e nestes momentos começam a tornar-se as maiores realidades de nossas vidas. O
André que sempre esteve ao meu lado, em nenhum minuto deixou transparecer
nervosismo, preocupação e descontrole, pelo contrário, me
acalmava, massageava, me acariciava e me fazia sentir única, especial,
amada de confortada pelo seu jeito calmo e sereno de ser. Após passar
quase sete horas com contrações já bem avançadas,
decidimos ligar novamente, combinamos então que a doula viria para casa.
Aguardei sua chegada calmamente, tentando revezar minhas posições,
respirações, mentalizações e o principal conversando
muito com o meu bebê. Dizia que já estava chegando o momento
e que dentro de mais algumas horas iríamos nos encontrar... Ficava
imaginando que faria uma viagem até o local do nascimento para buscá-la.
Isto me motivava tanto, que me dava forças para superar todas as dores
sentidas, vividas e compartilhadas com o fundo da minha alma. Com tudo que
estava ocorrendo, ou seja, uma revolução interna, pensava que tudo
aquilo era uma forma de me conhecer melhor, afinal era a primeira vez na minha
vida, que mergulhava a fundo no meu ser. É como estivesse separada
do mundo, é experimentar uma solidão construtiva, de energia, saúde,
paixão, prazer e amor. Por volta de 09:30h chega a minha doula, já
estava no chão do meu quarto fazendo posições de cócoras,
de joelhos, alternando em todos os sentidos. Durante todo este tempo meu colo
do útero sangrava e ela dizia: isto é bom, está amolecendo...Ou
seja, está dilatando. Continuamos com as massagens, claro que agora
com mais vigor e muito mais pressão. Enquanto isto, pedimos para que o
André preparasse a banheira e renovasse a água para tentar relaxar
de uma forma diferente. Fomos para a banheira, e as contrações o
tempo inteiro dando cada vez mais sinais de que estava dilatando. Ficamos conversando
por durante uns 30 minutos na água e voltamos para o quarto. Aproximadamente
às 10:30h, minha doula ligou para o Dr. J., relatando a situação;
já estava com contrações bastante intensas e menos espaçadas,
sugeriu que ele viesse para pela primeira vez fizesse o exame de toque. A
esta altura, já havia perdido completamente a noção do tempo
e espaço, as horas se transformaram em minutos. Olhando para trás,
vejo um flash de tudo isto. Quando o Dr. J. chegou, fizemos ainda uma
dinâmica para contagem das contrações e decidimos fazer o
toque. A minha fé falava mais alto neste momento, ao me deitar para
o exame já imaginava que havia dilatado bem, só não imaginava
o quanto. Quando terminou me disse: seu colo está bem amolecido e
está indo muito bem , claro que fez um suspense para dizer o quanto estava
dilatado. Por fim, deu-nos a notícia tão esperada naquele momento;
já estava com 5 para 06cm de dilatação. Fizemos uma pequena
comemoração e parecia que as contrações deram uma
pausa, afinal pude respirar e isto claro me deu mais energia, me senti confiante
na mulher que realmente sou, me sentia dona da situação que eu mesma
criara. Ainda assim, ficamos durante pelo menos uma hora aguardando para
irmos para a Maternidade. Saímos de casa por volta das 13h, fui no banco
de trás do carro e me lembro de perguntar para minha doula o que faria sem
ela no caminho do hospital, afinal necessitava de massagens vigorosas para alívio
das dores. Ela me dizia que só teria mais umas duas contrações
no máximo. No caminho do hospital, tive quatro contrações
extremamente intensas. Chegando lá, fomos direto para a sala de pré-parto.
Consegui ir ao banheiro, me troquei e fui direto para uma cama que me aguardava...
A movimentação da equipe do hospital me fez sentir observada e isto
é algo que sempre me deixou constrangida, afinal era o meu MOMENTO, me
sentia poderosa e dona da situação., Queria viver tudo aquilo
intensamente, e sem interferências. Sem saber ao certo e sem noção
do tempo, ficamos nesta sala acredito, por volta de uma hora e meia. Já
me sentia muito cansada, e queria um alívio para tudo isto. Ao mesmo tempo
em que ouvia alguns sussurros na sala, me sentia fora de órbita. Comecei
a ser tomada por uma estranha força anestésica e aliviadora. As
dores já não me incomodavam mais, queria mesmo que minha filha surgisse
deste momento de êxtase e prazer que comecei a sentir. Lembro-me de ouvir
o Dr. J. dizendo que as contrações estavam muito espaçadas
e que os batimentos do bebê estavam caindo. Ainda assim, tentamos utilizar
a cadeira de parto cócoras, mas com todo aquele movimento, era impossível
me concentrar. Foi então, que decidimos ir para a Sala de Parto.
Foi uma grande decisão, pois me senti em um ambiente menos confinado. Cada
vez mais, o cansaço tomava conta do meu físico, mas minha mente
permanecia ativa e atenta a tudo. Os batimentos cardíacos de Caroline foram
se recuperando e ela parecia bem. Mesmo assim, o Dr. J. achou que seria prudente
talvez tentar um fórceps de alivio. Quando ouvi que esta seria uma das
possibilidades para expulsar meu bebê, me deu choque tão grande,
que decidi naquele momento que não admitia a mim mesma tal coisa. Deste
momento em diante, senti as mãos Divinas sendo colocadas em meu útero
que traria Caroline ao mundo. Entreguei-me totalmente na total confiança
de que tudo terminaria bem. Com mais 3 ou 4 contrações dei
meu GRITO de coragem, alivio, amor, carinho, prazer e êxtase completo. Senti
sua cabeça passando pelo canal e ao mesmo tempo ouvia: estamos vendo sua
cabecinha, força, força...Quando me dei conta, senti os ombros escorregando
como uma seda que acariciava todo meu ser!!!! Caroline veio ao mundo muito
saudável, feliz, vencedora e serena. Jamais irei me esquecer das sensações
vividas no momento mais Divino de nossas vidas... Agradeço de coração,
corpo e alma a Deus em primeiro lugar, por me fazer uma mulher completa, amada
e destemida. A meu querido marido que em nenhum momento me deixou desistir desta
longa viagem que juntos fizemos. A minha doula e o Dr. J. que com seus ideais
de vida, profissão e afeto fazem com que cada vez mais as mulheres assumam
seu lugar no ato de DAR à LUZ. Com carinho, Léa Voltar
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