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Relato do parto da Alice - parto domiciliar
por Denise Haendchen
Dia 08 de Abril de 2007 foi o dia em que a Alice foi concebida.
Assim como a irmã, a gravidez veio em uma só brecha.
Era minha segunda filha que começava a crescer no meu ventre.
Minha intuição dizia que era uma menina e eu estava
certa. Na primeira gestação eu sonhava com uma bebê
moreninha, com cabelos pretos e olhos de jabuticaba. Mas, quando
a Júlia nasceu eu pensei: esta não é a bebê
que aparecia nos meus sonhos!! A Júlia era branquinha, cabelos
castanhos e olhos castanhos esverdeados. Quase três anos depois
eu venho conhecer, ou reconhecer, a Alice. Era ela!
Exatamente nove meses depois da concepção nasceu
Alice, no dia 08 de Janeiro de 2008. A gravidez foi tranqüila.
Engordei os mesmos 18 quilos da anterior e mesmo assim estava ótima.
Andava muito pelo bairro, carregava a Júlia e sentia aquela
típica necessidade que algumas mulheres têm de consertar
e arrumar tudo na casa.
Em uma consulta, faltando um mês para a data provável
do parto, a Dra. A me disse que a Alice estava sentada. Eu disse:
imagina, eu sinto chutar em cima! Fiz um ultra-som uma hora depois
e lá estava minha baixinha, sentada com as pernas cruzadas.
Eu não conseguia acreditar. Tive medo de tudo dar errado
e ter que fazer uma cesárea depois de ter tido a Ju em um
lindo parto domiciliar.
Por indicação médica, marquei uma consulta
com a Dra. M que faz acupuntura para virar bebês pélvicos.
Toda a minha esperança e energia foram em direção
a este dia. Tomei muita água nos dias anteriores para aumentar
o líquido amniótico e facilitar a virada. Quando chegou
o dia da consulta, fui tranqüila. O Lauro tinha uma reunião,
então fui sozinha mesmo. Tinha certeza que ela iria virar.
E foi assim, simples e rápido. Depois de algumas agulhadas
chatinhas no dedinho do pé ela levantou o bumbum da Alice
e empurrou a cabeça dela para baixo. Eu nem senti! Inacreditável.
Minha filha era uma bebê grande, já tinha 3,400 kg
e ela deu uma cambalhota dentro da minha barriga. Sai de lá
feliz da vida. Liguei para o Lauro, para a doula e Dra. A. Estava
radiante.
Passou o Natal, ano novo, a cidade estava vazia e silenciosa. Nós
ficamos em São Paulo, diferente de todos os anos. A família
que mora longe achava que nasceria em dezembro. Eu não quis
ninguém aqui. Queria ficar em casa, com meu marido e filha,
sossegados. E assim foi até o dia 06, quando começaram
as contrações. Vinham fracas e irregulares. Eu fiquei
animada, mas quando senti que a intensidade não aumentava,
relaxei. Fomos comer pizza no domingo na casa de uns amigos. Voltei
pra casa e fui dormir com elas já mais fortes.
Elas começaram a incomodar um pouco, mas como já
tinha passado por um trabalho de parto, sabia que ainda tinha um
longo caminho a percorrer. Tive contrações durante
o dia inteiro. Já no final da tarde, eu senti que elas estavam
bem mais fortes. Liguei para Dra. A e para a doula avisando que
a Alice estava querendo nascer. Descansei um pouco, consegui tirar
uns cochilos (esse foi meu único erro no primeiro parto,
não ter dormido à noite anterior... de tanta alegria
pelas contrações!!), sabia que precisava descansar.
Mas eu estava um pouco na dúvida se realmente era trabalho
de parto.
Liguei para a Dra. A, que pediu que eu anotasse o número
de contrações em uma hora. Fiz isso e depois liguei
pra ela. As contrações estavam regulares, mas absolutamente
tranquilas. A Dra. A achou melhor vir para cá. A doula chegou
primeiro e fez meu único exame de toque.
Para nossa surpresa, eu estava com quase 8 cm de dilatação.
Eu mal acreditei, pois no meu primeiro trabalho de parto senti contrações
fortíssimas. Já neste, eu curti muito, fiquei horas
mergulhada na banheira. Estava tão bem com o Lauro, a doula
e a Dra. A Ficamos conversando, rindo, contando histórias
por um bom tempo. Durante as contrações, eu respirava
forte (como a querida professora de yoga me ensinou) e me concentrava
nelas. Isso fazia toda a diferença nesse finalzinho. As contrações
mais fortes já vinham, mas eu sabia lidar com elas. Me concentrava
e respirava. Só isso.
Já era madrugada e eu comecei a ficar impaciente. Não
queria mais ficar na banheira. Fiquei um tempo no chuveiro abraçada
no Lauro. Depois sentei na banqueta de parto. Até que finalmente
comecei a sentir Alice descer. Não achava posição,
estava desconfortável sentada. E então senti meu corpo
empurrando ela pra baixo. O incômodo passou. Agora era só
fazer força para ela nascer. Estava acabando. Nisto apareceu
o Dr. C (pediatra), que até então estava na sala a
meu pedido.
Depois de um tempo, já cansada, me lembro de começar
a chamar pela minha filha. E minutos depois apareceu o cabelinho
preto, depois saiu a cabeça e na contração
seguinte saiu todo o corpinho. Ela era grande e redonda. Bem moreninha.
Linda. A abracei bem forte, senti o corpinho ainda quente e úmido.
Eram 4:10 da manhã. O Lauro veio pegar nossa gordinha: 3,950
kg!! E como filha de confeiteira que é, foi pesada em uma
balança de cozinha, dentro de uma forma de bolo (a do pediatra
tinha ficado no hospital). Ela mamou, me olhava com aqueles olhinhos
pretos espremidos.
Linda, linda, linda. Ficamos horas nos olhando. O pessoal tomou
um cafezinho e foram embora dormir. Já era 6h da manhã.
Às 8h a Júlia acordou, dei um pulo da cama e disse
pra ela: vem conhecer a sua irmã que nasceu enquanto você
dormia!! Ela veio correndo curiosa e ficou deitada na cama conosco.
A partir daquele instante nós seríamos quatro para
sempre.
Não consigo descrever a alegria de ter parido minhas duas
filhas de forma crua, intensa e sem disfarces. Me sinto absolutamente
privilegiada por ter conhecido a doula e a Dra. A Com elas aprendi
que é possível trazer um filho ao mundo sem soro,
sem cortes e acima de tudo respeitando a mulher e o bebê.
Minhas filhas ficaram no meu colo após o parto. Mamaram pelo
tempo que quiseram e depois de muito carinho foram observadas pelo
médico. Não foram esfregadas e nem furadas sem nenhuma
necessidade.
Agradecimentos:
Ao Lauro, meu companheiro de todas as horas, meu amor lindo.
A Júlia, que me ensinou a ser mãe e a amar incondicionalmente.
A minha doula e a Dra. A, minha admiração e gratidão.
Não tenho nem palavras para expressar tudo o que vocês
fizeram por mim. Vocês são demais!
Ao Marcelo Min, que fez fotos lindíssimas do parto. Obrigada
por tudo, até pelas palavras de incentivo no parto.
Ao Dr. C que cuidou com muito carinho da Alice nos seus primeiros
dias.
Aqui está o relato
do primeiro parto.
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