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Descobri que estava grávida 7 dias após a concepção (eu sei exatamente
o dia que minha filha foi gerada!). Sou médica e sempre acreditei
que ser mãe é um ato bastante instintivo e natural. Esperava que
não houvesse muita intervenção durante minha gestação ou parto.
Acontece que sou de uma família só de médicos e todos estavam todo
o tempo me acompanhando.
Acredito que mesmo eu fui mais ansiosa do que desejava e acabei
fazendo mais USGs e exames de sangue que desejava. Neguei-me a fazer
os que eu considerava "excesso de zelo". Não tive tempo de escolher
o obstetra que pensasse como eu, tenho relações pessoais com minha
médica e estava segura após a segunda consulta onde revelei que
queria o parto normal e ela ficou bastante satisfeita.
Preparei-me durante toda a gestação. Engordei 14 kgs, mas como
meu peso era baixo, a maioria das pessoas nem notou. Fiz pilates,
yoga, exercício para períneo e etc. Estava indo tudo bem. Minha
filha crescia adequadamente mas no percentil 10% da curva, ou seja,
pequena e perfeita para meu parto e estava em posição cefálica desde
30 semanas.
Ai aconteceu o que eu temia. Na 38 semana, durante a consulta,
minha médica disse que meu colo uterino estava muito grosso e posterior
e que eu provavelmente não conseguiria ter dilatação. Pediu para
esperarmos até a próxima semana e que fizéssemos cesárea caso não
houvesse melhora do colo.
Eu insisti que esperaria até 42 semanas para minha filha nascer
e que jamais ( a não ser que minha filha estivese em sofrimento!)
marcaria data e hora para minha princesa vir ao mundo. Ela insistiu
para não passarmos de 40 semanas ( aqui no Brasil, os obstetras
tem um conceito de duração da gestaçãodiferente da OMS!).
Sai do consultório muito triste e chorei muito. Comecei a me exercitar
como uma louca para que meu colo diminuisse. Com 39 semanas e 3
dias, minha bolsa rompeu. Fui para o hospital na maior felicidade
pois minha filha nasceria na data que ela escolheu!). No exame da
admissão a notícia ruim, meu colo estava grosso, posterior e com
zero de dilatação.
Tenteram a indução por 5 horas e nada. Foi ai que descobri que
o hospital possuia um protocolo de resolução do parto com bolsa
rota em 6 horas. Nunca vi isso! Eu queria ficar mais tempo tentando,
as 5 cinco horas do meu trabalho de parto passaram em 5 minutos
e eu sentia tanta felicidade com as contrações que não me incomodavam.
Acabei na cesárea, que pelo menos foi humanizada, com minha filha
amamentando na sala de parto e tomando seu primeiro banho. Minha
filha é linda e muito saudável, mas minha frustação ainda não passou
por não ter conseguido realizar o ato mais natural e mais bonito
na vida de uma mulher!!!
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